Atentos a BCs e resultados, mercados de ações operam em alta

Desempenho trimestral de companhias como Shell e Vale atrai a atenção; estímulos quantitativos em questão

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SÃO PAULO – Com atenção redobrada sobre os estímulos de autoridades monetárias, os principais índices de ações globais são favorecidos por novos resultados corporativos e operam no campo positivo nesta quinta-feira (28).

Assim, os mercados futuros dos EUA têm leve alta, enquanto as atenções voltam-se novamente para a expectativa relativa a novos estímulos quantitativos pelo Federal Reserve, que manteria conversas com investidores em renda fixa para tentar descobrir a sensibilidade do mercado ao tamanho do seu pacote de estímulos.

Irônico, o economista do banco suíço UBS, Paul Donovan, afirmou que “se o Fed deseja clareza de pensamento, era melhor perguntar aos economistas”.

Também na Europa, os investidores são influenciados pela temporada de resultados, com destaque para a surpresa favorável com o desempenho da Shell, levando os principais mercados do continente a operar em alta.

Euforia x Cautela
“Enquanto as preocupações com o desequilíbrio monetário persistem (…), os resultados corporativos (satisfatórios) fazem o seu papel de atrair investidores para a renda variável”, apontou a equipe de análise da Ágora Corretora, em relatório.

Ainda assim, os investidores devem permanecer cautelosos em relação ao cenário fiscal, em função de eventos recentes, como a falta de acordo em Portugal para a aprovação do orçamento no parlamento.

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“A quarta-feira provou ser um dia significativo para Irlanda, Portugal e Grécia, com forte alta nos spreads no rendimento de títulos e CDS (Credit Default Swaps). A única notícia positiva veio da Espanha”, apontou a equipe do Société Générale em relatório. 

Do lado de lá
Já na Ásia, o fechamento negativo dos índices de referência para as bolsas de Tóquio e Xangai reflete expectativas desfavoráveis trazidas pelos bancos centrais. 

No Japão, o BoJ (Bank of Japan) detalhou o programa de compra de ativos de ¥ 35 trilhões anunciado no começo deste mês, além de manter a taxa básica de juro entre 0% e 0,1% e reduzir as projeções de expansão da economia local, ao passo em que a autoridade monetária chinesa apontou riscos para o cenário inflacionário relativo a commodities.

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Cenário corporativo
No plano dos resultados corporativos, destaque para o desempenho da petrolífera Shell, que apresentou desempenho melhor que o esperado pelo mercado, com expansão de 88% do lucro ajustado pelo impacto de flutuações no preço de petróleo e outros itens não recorrentes, atingindo US$ 4,93 bilhões, levando seus papéis a uma alta de 1,0% em Londres.

Também os resultados de companhias como a Dow Chemical são recebidos de modo favorável, com os papéis da petroquímica operando em alta de 2,53% no pré-market de Nova York. Já na Ásia, a Canon viu suas ações registrarem alta de 3,73%, depois de a companhia elevar o guidance para lucro no restante do ano de ¥ 240 bilhões para ¥ 245 bilhões.

Mercado doméstico
Internamente, os investidores devem avaliar o desempenho trimestral de empresas como Usiminas  (USIM5) e Santander Brasil (SANB11), que registraram lucro líquido de R$ 495 milhões e R$ 1,935 bilhão, respectivamente, além da mineradora Vale (VALE5), cujo desempenho entre julho e setembro foi considerado “muito forte” pelos analistas do Citigroup, com lucro líquido recorde de R$ 10,6 bilhões.

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Entre os indicadores domésticos, destaque para o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que em outubro apontou inflação de 1,01%, maior que o esperado pelo mercado.

Assim, o Brasil sofre com riscos inflacionários de curto prazo, de acordo com a ata da última reunião do Copom (Comitê de política monetária), ocorrida no último dia 20. Entretanto, a autoridade monetária mantém a percepção de concretização de um cenário inflacionário benigno, dada a desaceleração maior que o esperado da economia doméstica e potencial reversão da recuperação da economia global.

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