Até aqui, crise deixa lições que ficaram para trás, mas muitas dúvidas ainda por vir

Fôlego do mercado parece amarrado a sinais de melhora da economia; após a recuperação, vêm as consequências dela

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SÃO PAULO – Olhando para a economia atual, vemos sinais de melhora após um período muito conturbado. O mercado parece olhar estes sinais e assumi-los, ávido por escapar um pouco da rotina de perdas. Mas o retrato da economia hoje deixa muitas dúvidas para o futuro.

A maneira que a crise está sendo conduzida, por exemplo, deve deixar tarefas importantes para os próximos anos. A primeira ideia que vem à cabeça diz respeito à inflação, ao impacto lá na frente do volume de dinheiro injetado recentemente na economia. Outras questões surgem de uma análise mais abrangente, que não chega a ser minuciosa.

Retomando posições

O Federal Reserve vem com uma rotina de compra de títulos de dívida norte-americana. Suas aquisições de Treasuries, desde o final de março até aqui, já totalizam cerca de US$ 115 bilhões. Seus esforços visam pressionar os yields, estimular o crédito.

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Por outro lado, matéria da MorningStar levanta a questão: como o governo irá se desfazer destas posições sem causar um enorme impacto no mercado? Dá para ir além e questionar se irão ficar suas fatias em bancos, seguradoras e montadoras? Ou o que será de Freedie Mac e Fannie Mae?

Muitas perdas, muitas lições

Uma vez que o potencial e velocidade de resposta destas medidas ainda geram dúvida nos mercados, o que dizer de suas consequências. Antes de avaliar os desdobramentos futuros, olhar para o passado deixa lições importantes.

Logo após um Bear Market devastador, as bolsas sempre resgatam lições valiosas. No meio de uma tendência de baixa desenfreada, é da natureza do investidor deixar as emoções assumirem a decisão. Os investidores que conseguiram manter a racionalidade e seguem com análises ponderadas certamente registraram resultados superiores aos levados pelo instinto.

Por aqui, depois de cinco anos seguidos de ganhos, a lição que fica é de sobriedade. Apesar de doloroso, o rali de certa forma mostrou que é preciso saber conviver com perdas para sobreviver no mercado.

Tema resgatado

Outro ponto que pode ser extraído de toda a mudança que os mercados enfrentaram diz respeito a estratégia. Alguns grandes investidores, entre eles Warren Buffett e Jim Rogers, defendem que a melhor alocação é concentrar a carteira; vigiar bem seus ovos, mas colocá-los na mesma cesta. Outros ressaltam os benefícios da diversificação.

Preparando-se para uma Conferência com grandes mentes do mercado, Russel Kinner, da MorningStar, afirmou que colocará este tema em pauta. “Não é correto afirmar que a diversificação não funcionou no ano passado, (…), um fundo de ações típico perdeu cerca de 30 pontos percentuais mais do que um fundo de renda fixa típico – é uma enorme diferença”, avalia em matéria.

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Um balanço da crise até aqui revela mudanças estruturais importantes no mercado, resgata debates deixados de lado há algum tempo e lembra que após a recuperação, a economia precisa lidar com suas consequências.