Até 2050, um terço dos japoneses terão idade superior a 65 anos

Rápido envelhecimento pode colocar em risco recuperação econômica, já que pressiona contas da Previdência Social

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SÃO PAULO – Os sinais de recuperação da segunda maior economia do mundo são inegáveis, depois do que muitos consideram uma década perdida, a economia japonesa vem dando sinais de crescimento desde o início de 2006.

As condições do mercado de trabalho nunca foram tão boas. Não só o desemprego atingiu seu nível mais baixo em sete anos, como deve cair ainda mais. A perspectiva de redução da população economicamente ativa está puxando os salários para cima, em uma combinação que deve sustentar o consumo. Esse último responsável por 55% do PIB (Produto Interno Bruto) japonês.

Envelhecimento pode colocar em risco recuperação

Apesar disso, o futuro da segunda maior economia do mundo é incerto, e vem preocupando as autoridades locais.

A razão? O rápido envelhecimento populacional. Ainda que no mundo inteiro a população esteja envelhecendo, até mesmo em nações consideradas jovens, como é o caso do Brasil, no Japão isso vem acontecendo a um ritmo muito acelerado.

Segundo dados divulgados pelo próprio governo japonês, ao final da semana passada, até 2015 cerca de um quinto da população japonesa terá mais de 65 anos. Ainda mais impressionante é a previsão para 2050: um terço da população japonesa terá mais de 65 anos.

Em 24 anos, parcela de idosos sobrou

Esse cenário coloca em risco a capacidade do governo de arcar com o pagamento dos benefícios de aposentadoria desta parcela da população, sobretudo, diante da queda nas contribuições da população ativa, estimada em diminuir a partir de 2007, período em que devem começar a se aposentar os chamados baby-boomers.
Para se ter uma idéia da rapidez com a qual a população japonesa está envelhecendo, o governo ressalta que, enquanto no Japão a parcela da população com mais de 65 anos dobrou em 24 anos, na França essa transição demorou 115 anos. Na Suécia, outro país cuja expectativa de vida é alta, fenômeno semelhante demorou 85 anos para acontecer.

Em 1970 a parcela de japoneses com mais de 65 anos equivalia a 7% da população total. Esse percentual subiu para 14% em 1994, ou seja, em apenas 24 anos. Na raiz do problema estão: a queda da taxa de fertilidade no Japão e o fato de que o país goza de uma das maiores expectativas de vida do mundo.