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SÃO PAULO – Com a entrada do novo SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro), as empresas se viram obrigadas a controlarem o seu fluxo de caixa de forma mais rigorosa. Entre as empresas mais afetadas pelas mudanças do SPB estão as varejistas, principalmente as de pequeno porte, que devem sofrer com o descasamento no fluxo de caixa.
Essas empresas geralmente compram em grande quantidade, mas pagam a prazo pelos estoques, com os recursos obtidos através da venda dos seus produtos. Esta forma de financiamento é comum entre as varejistas, mas deve mudar com o novo SPB.
Descasamento deve prejudicar comércio
Com o SPB, as transações serão em tempo real, portanto, a varejista terá que dispor do dinheiro no momento em que a compra é efetuada. Como o giro de capital é baixo, as varejistas acabariam sendo duramente afetadas pelo SPB. Para evitar que isso ocorra, as fornecedoras estão oferecendo algumas vantagens como aumentar o prazo de pagamento ou substituir os boletos bancários por cheques pré-datados.
De acordo com a Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidoras (Abad), as atacadistas estão dispostas a cooperarem da melhor forma possível com as varejistas de modo que o SPB não afete o fluxo de caixa dessas empresas. O principal ponto levantado pela Associação se refere ao tempo disponível para o pagamento. A Abad declarou que as atacadistas estão dispostas a aumentarem o prazo de pagamento para as varejistas.
Até mesmo, a substituição dos boletos pelos cheques está sendo analisada. Embora as tarifas dos cheques devam aumentar a partir de agosto, quando o piso das transferências em tempo real, ou TED (Transferência Eletrônica Disponível), deve cair dos atuais R$ 5 milhões para apenas R$ 5 mil.
De forma a forçar os bancos a reduzir o piso para R$ 5mil, o Banco Central já anunciou que, a partir de agosto, deve exigir compulsório dos cheques e Docs acima de R$ 5mil. Por sua vez, para compensar as perdas com o compulsório e desestimular o uso dos cheques e Docs para valores acima de R$ 5 mil os bancos devem cobrar tarifas adicionais por estes serviços. As atacadistas estão dispostas a arcarem com estes custos.
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Atacadistas temem perder mercado
Essas alterações são vistas na ótica dos atacadistas como necessárias. Num período em que a economia não apresenta sinais de recuperação, com altas taxas de juros, crédito cada vez mais difícil de ser obtido e margens de lucro cada vez mais baixas, o setor se vê obrigado a cooperar com as varejistas para não perder clientes para a concorrência. Contudo, as atacadistas alertam que essa “ajuda” só deve durar no período de adaptação ao SPB.