Ata revela Copom atento à inflação mas propenso a cortes

Comitê reduz perspectiva de inflação para o próximo ano e espera ajuste à meta para afrouxar o juro básico

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SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) divulgou nesta quinta-feira (18) a ata de sua reunião realizada nos dias 9 e 10 deste mês de dezembro, quando, de forma unânime e sem viés, optou por manter a taxa Selic em seu atual patamar de 13,75% ao ano.

A postura da autoridade refletiu o consenso quanto às maiores incertezas em relação ao ambiente financeiro e as perspectivas desfavoráveis sobre o andamento do cenário macroeconômico externo, como demonstra o documento publicado pela autoridade monetária.

Inflação mais amena

Com base no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medida oficial de inflação do Banco Central, o comitê verificou que houve uma aceleração na comparação anual e há indícios de manutenção deste ritmo ao longo deste ano, evidências que apontam que ainda não se consolidou o processo de reversão da tendência de afastamento da inflação em relação à trajetória de metas.

Apesar de a inflação ainda estar acima do centro da meta, os membros constataram que houve um arrefecimento dos preços, principalmente das commodities, fazendo com que a projeção para a inflação em 2008 sofresse ligeira redução em relação à última reunião, mas que ainda permanece acima do valor central de 4,50%.

No mesmo sentido, as projeções de inflação para 2009 reduziram-se ante os respectivos valores previstos na reunião de outubro, mas também se encontram acima do centro da meta estipulada.

“O Copom avalia que a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação poderia estar diminuindo”, mostra a ata.

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Economia externa

Na avaliação do Copom, houve um agravamento da situação econômica mundial desde a última reunião, ao passo que as “repercussões sobre as economias emergentes se tornam mais significativas”.

Ao menos no curto prazo, afirma o comitê, as tendências contracionistas prevalecem em relação às pressões inflacionárias. A visão dominante continua apontando para a expansão, em ritmo modesto, da economia mundial em 2009, mas os membros não descartam a probabilidade de enfraquecimento das economias desenvolvidas, assim como para as emergentes, em reflexo da crise financeira global.

“Nas economias maduras, onde a ancoragem das expectativas de inflação é mais forte e a atividade econômica vem se enfraquecendo consideravelmente, as pressões inflacionárias têm mostrado redução rápida”, descreve a ata.

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Cortes na próxima reunião?

A ata mostra também que os membros do comitê discutiram já nesta reunião um corte na taxa básica de juro, mas optaram por manter devido às incertezas quanto ao cenário macroeconômico global. “O Comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação com vistas a definir tempestivamente os próximos passos de sua estratégia de política monetária”.

Um possível corte só poderá ser promovido caso haja um ajuste da inflação à sua meta estipulada, revela o comitê, de forma a mitigar incertezas quanto ao ritmo dos preços e, só assim, promover um crescimento sustentável, sem problemas de expectativas de inflação.

Ao final da reunião, foi registrado que o comitê voltará a se reunir em 20 de janeiro de 2009, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária.