Ata do Fomc, nos EUA, será “divisor de águas” da próxima semana

Documento pode sinalizar próximos passos do Fed; mercado teme que corte abrupto de estímulos à economia norte-americana puxe queda generalizada das bolsas

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SÃO PAULO – Com o fim da temporada de balanços do primeiro trimestre, a agenda perde um pouco de força no Brasil e os olhares voltam-se para os Estados Unidos, quando será divulgada a esperada ata do Fomc (Federal Open Market Committee), que pode trazer alguma sinalização sobre a interrupção dos estímulos à economia norte-americana.

No início desta semana, autoridades do Federal Reserve, o banco central norte-americano, elaboraram uma estratégia para reduzir gradualmente o programa sem precedentes de compra de títulos da dívida, conhecido como Quantitative Easing 3, num esforço para preservar a flexibilidade e administrar as altamente imprevisíveis expectativas do mercado. 

Os dirigentes do Fed dizem que planejam cortar o volume de compra de títulos, hoje, em US$ 85 bilhões por mês, em etapas cuidadosas e possivelmente intermitentes. Entretanto, alguns especialistas do mercado temem que a decisão seja precipitada e questionam se a economia do país já estaria preparada para essa medida.

Um corte abrupto poderia frear a tendência de alta das bolsas internacionais, que vêm quebrando semana a semana seus recordes históricos. “É importante acompanhar de perto a ata do Fomc (que será divulgada na quarta-feira, 22). O documento não deve trazer nada de novo, mas o Fed pode deixar vestígios dos seus próximos passos. Primeiro, as autoridades querem ver como o mercado vai reagir, para depois, realmente anunciar uma medida”, diz o estrategista do BB Investimentos, Hamilton Moreira.

Com isso, a quarta-feira deverá ser o “divisor de águas” da próxima semana, uma sinalização de corte pode trazer um temor para o mercado e levar para baixo as bolsas internacionais e, consequentemente, o Ibovespa, avalia Moreira.

Foco nos indicadores econômicos
Além disso, os indicadores dos Estados Unidos também deverão dar um norte para os mercados, com destaque para a divulgação dos dados de vendas de moradias usadas e novas, mercado de trabalho, com o número semanal de pedidos de auxílio-desemprego, e encomendas de bens duráveis. 

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No Brasil, a atenção volta-se para o IPCA-15, que deve mostrar uma desaceleração na inflação na comparação com o mês de abril. A Europa também contribui com algumas referências para os mercados, com a divulgação da revisão do PIB (Produto Interno Bruto) da Alemanha do primeiro trimestre, além do discurso do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, na quinta-feira.