Publicidade
SÃO PAULO – Com perspectivas ainda ruins para o emprego e para o crescimento, o Fed cortou suas projeções para a economia norte-americana. A ata do Fomc (Federal Open Market Committee), divulgada nesta terça-feira (23) mostrou que a expectativa agora é que os EUA cresçam entre 2,4% e 2,5% este ano, abaixo dos 3% a 3,5% esperados em junho.
As projeções para 2011 também foram cortadas – antes, era esperado um crescimento de 3,5% a 4,2%. Agora, as expectativas apontam um avanço de 3% a 3,6%. Já em relação à inflação, a expectativa é que haja uma menor pressão de queda. De acordo com o Fed, as novas projeções levam em conta taxas de juro de longo prazo mais baixas, preços mais altos de ações e uma desvalorização do dólar frente às principais moedas internacionais.
Vale lembrar que, nessa sessão, a segunda prévia do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano do terceiro trimestre mostrou crescimento levemente acima do esperado, em 2,5%, e acima do visto na prévia anterior.
Progresso desapontador
A avaliação geral do Fed é que a recuperação da economia segue a um ritmo modesto, com melhoras apenas graduais no mercado de trabalho, com a taxa de desemprego ainda elevada. De acordo com alguns dos membros do comitê, o progresso nesse sentido segue desapontador, e pode levar mais de seis anos até que a taxa de desemprego volte a seus níveis normais.
Nos demais aspectos da economia, os gastos do consumidor, os investimentos das empresas e exportações mostraram avanço entre as reuniões da autoridade monetária, enquanto a atividade de construção seguiu pressionada, e grande parte da alta na demanda doméstica foi atendida por importações. A produção industrial norte-americana, por sua vez, caiu de modo significativo entre agosto e setembro. A inflação, por fim, segue sob controle, segundo os membros do comitê.
O mercado imobiliário, ao lado do desemprego, segue como principal preocupação do Fed. “A atividade no mercado imobiliário segue excepcionalmente fraca. Apesar das vendas de casas novas e usadas terem avançado em agosto e setembro, o baixo nível de demanda sugere que ainda há resquícios da alta das vendas durante os períodos de incentivo”, diz o comitê.
Continua depois da publicidade
Já as construções de novas casas seguiram pressionadas por condições de crédito difíceis e altos estoques de casas no mercado. Da mesma maneira, o mercado imobiliário comercial também segue com desempenho ruim.
Assim, a visão do comitê é que o progresso para que as metas de máximo emprego e estabilidade de preços sejam cumpridas tem sido desapontadoramente lento, com a evolução restrita por baixos níveis de confiança do consumidor e do empresariado, temores sobre a sustentabilidade da economia, o desempenho ruim do mercado imobiliário, incertezas sobre o novo ambiente regulatório e fiscal e o final dos estímulos fiscais.
O Fed afirmou que não vê grandes possibilidades de um double dip dos EUA, mas reconheceu que a atual situação do país deixa a economia vulnerável a choques negativos. “Os participantes concordaram, de modo geral, que o mais provável resultado seja uma melhora gradual no crescimento, com progresso lento no mercado de trabalho”, escreve o Fomc.
Continua depois da publicidade
| Mudanças nas projeções do Fed para os EUA | |||
|---|---|---|---|
| Indicadores | Projeção anterior (junho) |
Nova projeção (novembro) |
|
| 2010 | Crescimento do PIB | 3,0% – 3,5% | 2,4% – 2,5% |
| Taxa de desemprego | 9,2% – 9,5% | 9,5% – 9,7% | |
| Inflação (PCE) | 1,0% – 1,1% | 1,2% – 1,4% | |
| 2011 | Crescimento do PIB | 3,5% – 4,2% | 3,0% – 3,6% |
| Taxa de desemprego | 8,3% – 8,7% | 8,9% – 9,1% | |
| Inflação (PCE) | 1,1% – 1,6% | 1,1% – 1,7% | |
| 2012 | Crescimento do PIB | 3,5% – 4,5% | 3,6% – 4,5% |
| Taxa de desemprego | 7,1% – 7,5% | 7,7% – 8,2% | |
| Inflação (PCE) | 1,0% – 1,7% | 1,1% – 1,8% | |
QE2 e compras de Treasuries
O Fed admitiu que a linguagem usada no comunicado que acompanhou a reunião de setembro fez com que os mercados precificassem um novo pacote de flexibilização quantitativa – o QE2 -, fazendo com que os yields dos Treasuries recuassem.
Segundo a ata, os membros do Fomc discordaram sobre os benefícios e custos associados com o QE2 – entretanto, a maioria deles concluiu que os benefícios eram maiores dada a situação atual, esperando que o pacote ajudasse a fortalecer a recuperação e levar a inflação, ao longo do tempo, a patamares mais consistentes com as metas do Fed.
Entre os efeitos negativos do QE2 pesados pelo Fomc estão a desvalorização do dólar, seu efeito limitado no ritmo da recuperação e pressão no balanço do próprio Fed.
Continua depois da publicidade
Além disso, o Fed informou ainda que o reinvestimento dos principais das dívidas somou cerca de US$ 65 bilhões em Treasuries desde que as novas compras foram iniciadas, em agosto deste ano. A maioria dos títulos adquiridos tem maturidade entre dois e 10 anos.