Ata do Fed revela relutância de membros do Fomc em modificar QE2

Mesmo diante de recuperação econômica, autoridade dos EUA deverá seguir comprando bonds no ritmo anunciado

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SÃO PAULO – A ata da última reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), divulgada nesta terça-feira (4), mostrou que alguns membros do comitê não estão tão abertos a possíveis ajustes no programa de US$ 600 bilhões em compras de títulos aprovado pelo banco central dos Estados Unidos no final de 2010, no chamado QE2 (Quantitative Easing 2).

Na documento, o Fed destacou que a avaliação de sua última reunião, realizada em 14 de dezembro, era de que a economia do país segue crescendo em um ritmo moderado, tendência essa que deve se manter. 

Segundo o documento, os indicadores econômicos norte-americanos têm mostrado dados mistos que ora animam, ora decepcionam o mercado. “O ritmo de aumento dos gastos dos consumidores acelerou em outubro e novembro, enquanto que as exportações subiram ligeiramente no décimo mês de 2010 e a recuperação nos gastos corporativos com equipamentos e softwares mostrou continuidade”, destacou o Fed.

Por outro lado, a autoridade afirmou que a atividade do setor de construção, tanto residencial quanto não-residencial, persistiu em mostrar queda. O Fed ressaltou ainda que os indicadores do mercado de trabalho norte-americano, apesar de terem mostrado melhoras nas últimas medições em relação aos meses anteriores, seguem em níveis “restritos”.

QE2
A autoridade monetária também voltou a dizer que o tamanho do programa de compra de ativos seria constantemente reavaliado. Contudo, para alguns membros do comitê, a ligeira melhora econômica não é o suficiente para fazer com que o governo altere o volume de compras de títulos públicos por ora, considerando que seria necessário mais tempo para avaliar a situação da economia norte-americana.

O Fed reconheceu também que parte do mercado esperava que o tamanho do programa fosse aumentado com o tempo – com isso, nas semanas seguintes à divulgação do pacote de US$ 600 bilhões, os yields dos Treasuries aumentaram de forma significativa, “com os investidores revisando para baixo suas estimativas para o tamanho do programa”, afirmou a autoridade monetária. 

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O comitê listou ainda outros fatores que contribuíram com essa alta, como um pacote de medidas fiscais que tramita no Congresso dos EUA e os ajustes de posição decorrentes da proximidade do final de ano. 

Europa e China em foco
Além do ritmo de crescimento da economia norte-americana, o Federal Reserve se mostrou atento também ao noticiário internacional, especialmente com a questão da crise fiscal na Europa. “A cotação internacional do dólar que mostrou depreciação após a minuta do Fomc em novembro, teve uma ligeira apreciação em seguida, refletindo as preocupações em relação a situação europeia”, revelou a ata.

O Fed mencionou a ajuda do FMI (Fundo Monetário Internacional) e da União Europeia à economia irlandesa, assim como as medidas recém tomadas pelos governos chinês e brasileiro, que influenciaram o mercado de câmbio internacional.

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Recuperação dos Estados Unidos
De acordo com o Fed, o novo programa de compra de títulos aprovado pela autoridade no final de 2010 serviria para impulsionar uma retomada econômica norte-americana.

“Contudo, uma série de fatores deverá seguir restringindo o avanço da economia, os quais incluem o mercado imobiliário em baixa, a relutância dos empregadores em criarem mais vagas de trabalho e alguns esforços de empresários e famílias em se desalavancarem”, destacou o Fed. O mercado imobiliário, aliás, se mostrou uma preocupação comum aos membros do Fomc, em meio a um grande número de imóveis disponíveis no mercado. 

Além disso, a autoridade ressaltou que a recuperação dos Estados Unidos ainda depende de efeitos externos, como uma possível piora no cenário econômico europeu.

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Inflação e saída
Os membros do Fomc seguiram afirmando que a inflação deve continuar a níveis abaixo dos considerados consistentes por algum tempo. Alguns participantes do comitê destacaram ainda que o tamanho do balanço do Fed e a taxa de juro em baixa traz riscos ao cenário inflacionário. 

“Para minimizar esses riscos, foi apontado que o comitê deve continuar seu planejamento para uma eventual saída de sua política acomodativa atual”, escreveu o Fed na ata. Apesar disso, o comitê também frisou que o risco de deflação recuou nos últimos meses.