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SÃO PAULO – Em 27 de janeiro passado, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) optou pela quarta manutenção consecutiva da taxa Selic, mantendo-a em 8,75% ao ano. Nesta quinta-feira (4), a autoridade divulgou a ata da reunião, explicando o porquê de sua decisão.
“Cautela”, “retomada econômica” e “pressões inflacionárias” são alguns dos termos que pontuaram o documento. De forma geral, o que se extrai da ata é um Copom significativamente mais preocupado quanto a um eventual aumento das pressões inflacionárias no cenário macroeconômico brasileiro.
Cenário externo e doméstico
Um dos pontos analisados pelo Comitê em sua ata é o desempenho da economia global. O Copom aposta em uma tendência de recuperação em 2010 e “alguma aceleração em 2011, em processo no qual os EUA, Europa e Japão retomam certo dinamismo, mas que segue liderado pelas economias emergentes”.
Ainda no plano externo, se as perspectivas para a economia vêm melhorando, o ambiente nos mercados financeiros mostrou certa deterioração desde dezembro do ano passado – ao menos essa é a visão da autoridade. “A aversão ao risco mostrou certa elevação desde nossa última reunião, ainda que persista uma situação de liquidez abundante”.
Por aqui, as perspectivas para a evolução da atividade econômica “seguem favoráveis, como evidenciado pelos dados sobre o comércio, utilização da capacidade na indústria e sobre o mercado de trabalho, bem como pelos sinais de continuidade da expansão da oferta de crédito. A confiança dos consumidores e dos empresários também exibe sinais consistentes de recuperação”, diz a ata.
Pressões inflacionárias preocupam
“O Copom entende que, a se confirmar a perspectiva de intensificação das pressões da demanda doméstica sobre o mercado de fatores, a probabilidade de que desenvolvimentos inflacionários inicialmente localizados venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação poderia estar se elevando”. A frase emblemática reflete a maior preocupação do Copom sobre a inflação no País.
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Segundo a autoridade, os principais riscos derivam, lá fora, de uma eventual elevação nos preços das commodities; e no plano interno, dos efeitos cumulativos e defasados da “distensão das condições financeiras e da evolução da demanda doméstica, em contexto de redução da margem de ociosidade na utilização dos fatores de produção”.
Expectativa quanto à proxima reunião
Assim, em decisão unânime e sem viés, o Comitê decidiu manter o juro básico brasileiro inalterado em seu atual patamar de 8,75% ao ano, sua mínima histórica, em uma manutenção já amplamente esperada pelo mercado.
A ata desta quinta-feira, no entanto, surpreendeu pelo tom mais temeroso e é forte indicativo de que um ciclo de aperto monetário possa estar por vir no País. Assim, fica agora a expectativa para a próxima reunião do Copom, já agendada para os dias 16 e 17 de março.