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SÃO PAULO – O Banco Central do Brasil divulgou nesta quarta-feira a Ata da reunião do Copom, realizada na semana passada. Segundo o documento, a decisão pela manutenção da taxa Selic para 21,00%, foi unânime entre os membros do comitê.
A manutenção da Selic foi possível graças à elevação da meta de inflação ajustada de 2003 para “um número próximo de 6%”. Isso permite que, mesmo com a elevação das expectativas de inflação para 2002, a atual taxa Selic e o elevado patamar do câmbio, as perspectivas apontem para uma inflação em torno da meta ajustada para 2003.
Crescimento de vendas e estabilidade da produção
O colegiado afirmou que, segundo os indicadores econômicos levantados, o quadro traçado na última ata divulgada no mês passado, de crescimento das vendas e estabilidade da produção industrial, voltou a vigorar.
Nesse sentido, o Copom apontou crescimento do faturamento real do varejo em São Paulo de 2,4% em setembro, o segundo aumento mensal consecutivo, e alta de 0,27% na produção industrial medida pelo IBGE entre julho e agosto. O descompasso entre vendas e produção fez com que o nível de estoques revertesse a tendência de alta registrada na última ata e caísse em setembro.
Saldo de transações correntes mostra forte melhora
O saldo de transações correntes apresentou um elevado superávit de US$ 1,2 bilhão em setembro de 2002, o melhor resultado mensal já registrado. Tal desempenho foi estimulado pelo superávit comercial recorde de US$ 2,5 bilhões, além do desempenho das contas de serviços e rendas, que apresentaram remessas líquidas de US$ 1,5 bilhão, abaixo da média mensal observada no ano, até agosto, que foi de US$ 1,9 bilhão.
Já nas três primeiras semanas de outubro, a balança comercial somou superávit de US$ 1,1 bilhão. As exportações registraram média diária de US$ 269 milhões, frente aos US$ 233 milhões no acumulado do ano. A média diária das importações em outubro foi de US$ 187 milhões, 0,7% inferior à observada desde o início do ano.
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Com isso, até agora o superávit atingiu US$ 9 bilhões em 2002, ante US$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2001. Porém, as exportações, que somaram US$ 47,3 bilhões até agora neste ano, e as importações, que somaram US$ 38,3 bilhões, mostraram quedas de 0,3% e 17,1% respectivamente, em relação aos valores registrados no mesmo período de 2001.
Meta de inflação para 2003 aumentou
O Copom elevou para “um número próximo” a 6% a meta de inflação ajustada de 2003. Segundo o comitê, esse aumento se deu graças ao impacto da inércia inflacionária que será sentido de 2002 para 2003 e pelo aumento dos preços administrados pelo governo. Esta é a segunda vez que a meta de inflação estabelecida para 2003 é aumentada. Por causa da crise na economia este ano, o Banco Central decidiu ao final de setembro aumentar a meta de inflação ajustada de 4%, com margem de variação de 2,5 p.p., para 5%.
O Copom apontou que a inflação manteve-se elevada em setembro, sobretudo dos preços livres, refletindo principalmente a evolução da taxa cambial. O IPCA elevou-se 0,72%, ante 0,65% em agosto, acumulando 5,6% no ano e 7,9% em doze meses.
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Expectativas de inflação aumentaram
Segundo a Gerin do Banco Central do Brasil, as expectativas do mercado para a inflação em 2003 aumentaram ao longo do último mês. Desde a reunião de setembro do Copom, a mediana das expectativas subiu de 5,2% para 5,9% às vésperas da reunião extraordinária em outubro, e atingiu 7,0% às vésperas da reunião mais recente. No mesmo sentido, o Copom também reavaliou para cima as suas projeções de inflação para 2002 e 2003.
Porém, mesmo com a elevação das perspectivas de inflação, os exercícios de simulação do Banco Central apontaram que a manutenção da taxa de juros em 21,0% ao ano e da taxa de câmbio no patamar que prevalecia na véspera da reunião do Copom, de R$ 3,90, aponta para uma inflação acima do limite superior do intervalo de tolerância em 2002, mas em torno da meta ajustada para 2003.
Projeção para preço do petróleo é incerta
O Copom acrescentou que em outubro a depreciação cambial deve continuar pressionando os preços, o que implicará na manutenção das taxas de inflação em patamares relativamente elevados. Porém, o elevado grau de incerteza quanto à trajetória futura dos preços dos derivados de petróleo, que correm o risco de subir bastante com uma eventual guerra no Iraque, impede a previsão concreta de um cenário futuro.
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Dessa forma, o Copom analisou diversos cenários alternativos para o preço do petróleo e de seus derivados, que deverão determinar diferentes tendências para a inflação brasileira. Um cenário conservador prevê aumentos no preço da gasolina de cerca de 9% para o restante de 2002, e outros 9% para 2003. Para o gás de cozinha, projetam-se elevações de 16,6% para o último trimestre de 2002, e outros 16,6% para 2003. O comitê afirmou que na medida em que houver mudanças nesses parâmetros, as projeções serão revistas.
Mercado externo segue instável
No âmbito externo, o Copom reconheceu que a recente melhora nos mercados financeiros internacionais não foi suficiente para diminuir a aversão ao risco e a volatilidade nos mercados globais, graças às dúvidas em relação ao ritmo de crescimento econômico. A divulgação dos últimos indicadores econômicos reforçou as expectativas de que uma nova fase recessiva está em curso, e a tensão no mercado de petróleo permanece, com a possibilidade de ataque dos Estados Unidos ao Iraque.