Ata do Copom flerta com cortes de 25 pontos-base na Selic e frustra mais otimistas

Corte maior não está totalmente descartado, mas colegiado do BC voltou a destacar necessidade de parcimônia

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SÃO PAULO – Se o cisma entre os diretores do Copom (Comitê de Política Monetária) na semana passada gerou otimismo no mercado quanto a uma possível aceleração do ciclo de afrouxamento monetário, o mesmo não pode ser dito a respeito da ata da última reunião do colegiado do BC.

No dia 18 de abril, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 12,50% ao ano. Entretanto, três membros da autoridade monetária votaram em prol de um corte de 50 pontos-base no juro, o que gerou expectativa de que diminuições desta magnitude pudessem ser adotadas num futuro próximo.

Contudo, frustrando os mais otimistas, a minuta publicada nesta quinta-feira explicou as razões por traz da divergência e reiterou a necessidade de parcimônia na condução da política monetária.

O porquê da discordância

Primeiramente, o documento apresentado pela manhã explica que os partidários de um corte de 50 pontos-base na Selic se apóiam na perspectiva de que o aumento das importações ajudaria a manter a inflação em níveis confortáveis.

O argumento é simples. Com o real valorizado, os bens internacionais ficam mais “baratos”, contribuindo para o controle do nível geral de preços internamente por conta do “repasse cambial” – os bens comercializáveis com o exterior entram mais baratos no País e, aos poucos, vão exercendo pressão para baixo nos demais preços.

Mas parcimônia continua

A despeito disso, a maioria dos membros do Copom segue defendendo a parcimônia como a postura adequada. Isso porque ainda há muitas incertezas quanto à defasagem dos mecanismos de transmissão da política monetária, sendo que parte importante dos cortes nos juros realizados nos últimos meses ainda não se refletiu no nível de atividade.

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Talvez mais relevante seja a preocupação do colegiado com os riscos para o cenário prospectivo para a inflação em uma economia em aquecimento. A autoridade monetária enfatizou que eventuais pressões nos preços atingiriam a demanda doméstica num momento em que esta se expande a taxas robustas, inclusive em setores pouco expostos à competição externa, o que poderia amplificar as alterações no prognóstico para inflação.

È importante atentar para o fato de que o Copom destacou uma demanda doméstica crescendo a “taxas robustas”. Desta forma, mantido o cenário atual, parece ser mais provável que a autoridade monetária não conceda estímulos adicionais ao crescimento via reduções maiores nos juros.

Porém, a possibilidade existe

Isso não significa, porém, não haver possibilidade de um retorno das reduções de 50 pontos-base na Selic a cada reunião, mas que este talvez dependa de uma melhora no balanço de riscos para o cenário prospectivo para a inflação. Mesmo porque o próprio Copom vem salientando que, com cortes menores no juro, aumenta a probabilidade de extensão do ciclo de aperto monetário. Devagar se vai mais longe!