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SÃO PAULO – Atas e comunicados do Copom, pronunciamentos de membros do Conselho Monetário Nacional, discursos de membros do Federal Reserve ou de seu presidente, Ben Bernanke, todos estes são eventos que, em geral, dão a tônica dos mercados nas sessões que os precedem e, eventualmente, os sucedem.
Em inúmeras ocasiões, observa-se um cuidado por parte das autoridades monetárias com a comunicação com os mercados, sobretudo, quando o tópico do pronunciamento refere-se a decisões ou cenários futuros.
Um exemplo que ilustrou a relevância da comunicação da autoridade monetária sobre os mercados, foi o anúncio da meta de inflação para 2009. O Conselho Monetário Nacional estipulou que esta seria mantida em 4,5%, mas Guido Mantega, membro do CMN e Ministro da Fazenda, acrescentou que o Copom (Comitê de Política Monetária) buscaria os 4,0%.
O “conflito” de informações não foi bem visto por analistas e alguns chegaram a projetar deterioração nas expectativas inflacionárias em função da falha na comunicação. A repercussão do evento entre analistas foi tamanha que alguns esperam que a ata do Copom, que será divulgada na próxima quinta-feira, traga esclarecimentos sobre o assunto.
Expectativas e a necessidade de controle sobre elas
O cuidado com a informação disponibilizada ao mercado tem por base o peso das expectativas dos agentes em relação ao futuro da economia e suas decisões com base nestas expectativas, de forma que, num regime como o brasileiro, de metas de inflação, a estratégia de comunicação adotada pela autoridade monetária é um fator de suma importância para a assunção das metas estipuladas. Daí a preocupação com a “falha” na ocasião da determinação da meta de inflação para 2009.
O que está por trás, então, da estratégia que a autoridade monetária adotou desde a implementação do regime de metas de inflação? Um artigo publicado por Stefano Eusepi, do Fed de Nova York, e Bruce Preston, do Departamento de Economia da Universidade de Chicago, descreve algumas das estratégias possíveis a serem adotadas pelas autoridades monetárias e os resultados que tais estratégias podem ter sobre a economia.
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Opção pela transparência
Mas, antes de buscar na teoria os resultados possíveis de uma determinada estratégia, vale observar qual a postura do Banco Central quanto à sua comunicação com o mercado.
De maneira geral, a autoridade monetária brasileira busca coordenar as expectativas dos agentes através da explicação de suas decisões de maneira consistente e racional e adotando uma postura de transparência em relação à comunicação com o mercado. Para tanto, utiliza instrumentos como a Ata das reuniões do Copom, o Relatório de Inflação trimestral e a carta aberta do presidente do BC ao Ministro da Fazenda, no caso da meta de inflação não ser cumprida.
A implementação do regime se dá, por conseguinte, através da determinação das taxa Selic e a transmissão da política monetária ocorre por meio das taxas vigentes no mercado em diferentes horizontes, taxas estas que fogem ao controle da autoridade monetária.
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As decisões do Copom se baseiam na evolução da economia global, cenário doméstico, preços, crédito, finanças públicas e balanço de pagamentos, bem como o mercado de trabalho, mercado monetário, expectativas e modelos de projeção para a inflação.
O resultado da estratégia adotada
Dito isto, voltando ao que a teoria econômica tem a dizer sobre a comunicação das autoridades monetárias, uma estratégia possível é, então, o anúncio de detalhes precisos acerca do processo decisório da autoridade monetária, que incluem variáveis que condicionem suas decisões e outras informações relevantes à determinação da taxa básica de juros.
Neste caso, que se assemelha à postura adotada pela autoridade monetária doméstica, Eusepi e Preston concluem que, ao anunciar com detalhes a tomada de decisão, a estabilidade do processo é restaurada. A comunicação permite aos indivíduos e empresas construírem projeções mais apuradas sobre as condições macroeconômicas futuras, gerando, assim, maior estabilidade na produção doméstica, inflação e na taxa nominal de juros.
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Desta conclusão, decorre, portanto, a preocupação de alguns analistas para com os impactos que o “conflito” de informações quanto à determinação da meta de inflação poderia ter sobre o mercado e a economia brasileira