Ata do Copom e perdas lá fora engatilham recuo de mais de 1% do Ibovespa

Em repercussão às palavras do Copom, bancos aparecem entre ações de pior performance do índice e imobiliárias sobem

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SÃO PAULO – Se as bolsas ao redor do mundo seguem pressionadas por números desfavoráveis das economias norte-americana e chinesa, por aqui o Ibovespa reflete o temor dos investidores quanto a possibilidade de o governo instaurar novas medidas macroprudencias e também restrições adicionais no mercado de câmbio para conter a queda do dólar. Neste cenário complicado, o Ibovespa estende as perdas dos dois últimos pregões e há pouco recuava 1,03%, chegando assim aos 66.570 pontos. O volume do pregão até o momento é de R$ 4,129 bilhões.

As tais medidas de contenção do crédito já vem sendo especuladas há um certo tempo, no entanto, a Ata do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada na parte da manhã ajudou a aumentar as expectativas quanto a proximidade de um anúncio. Também segue em cena a especulação de que o governo pode anunciar ferramentas adicionais de combate à desvalorização do dólar frente ao real, contribuindo com o clima de incertezas e aversão ao risco que se instaura na bolsa brasileira. 

Passando para as referências externas, os investidores dividem sua atenção entre números do mercado de trabalho dos EUA, que vieram piores do que o projetado, os déficits das balanças comerciais chinesa e norte-americana, e, também, o corte do rating soberano da Espanha.

Ibovespa em baixa
Repercutindo as informações contidas na ata da última reunião do Copom, as ações do setor bancário despontam entre as principais perdas do Ibovespa. Com isso, os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4), Itaúsa (ITSA4), Santander Brasil (SANB11), Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4) recuam forte.

As ações da Vale (VALE3, VALE5) também mostram perdas, pressionadas não só pelo sentimento negativo que domina todo o mercado, mas também imapcatado pela balança comercial chinesa. As ações da Bradespar (BRAP4), holding que detém grande participação no capital da mineradora, também caem forte.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

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Por outro lado, o fato de a ata do Copom ter sinalizado maior possibilidade de novas medidas macroprudenciais ao invés de uma alta no juro mais agressiva parece repercutir positivamente entre as ações do setor imobiliários, com MRV (MRVE3), Rossi (RSID3), Cyrela (CYRE3), Brookfield (BISA3), Gafisa (GFSA3) e PDG Realty (PDGR3) resistindo à pressão vendedora.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:


* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

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Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 19,22 -3,90 -3,90 170,03M
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN EDJ 35,19 -2,82 -10,10 223,00M
 BBAS3 BRASIL ON 28,04 -2,81 -9,80 152,68M
 BRAP4 BRADESPAR PN 40,65 -2,52 -6,16 80,22M
 FIBR3 FIBRIA ON 23,56 -2,36 -11,06 12,06M
Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRVE3 MRV ON 13,35 +3,81 -14,48 26,42M
 BTOW3 B2W VAREJO ON 25,99 +3,55 -17,49 11,10M
 RSID3 ROSSI RESID ON 13,21 +3,04 -10,68 14,31M
 NATU3 NATURA ON EDJ 44,71 +2,66 -3,98 21,88M
 CIEL3 CIELO ON 14,13 +2,24 +5,06 34,78M

Fora do índice, destaque para a queda das ações da MPX Energia (MPXE3) que recuam 1,61% a R$ 38,52. A empresa comunicou pela manhã que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou o enquadramento de sua capitalização, em um processo que levará à captação de R$ 1,3 bilhão.

Destaques internacionais
O BoE (Bank of England) optou por manter tanto da taxa básica de juro em 0,5% ao ano, quanto do programa de compra de ativos em £ 200 bilhões, conforme esperado pelo mercado. Ainda na Europa, a agência de classificação de risco Moody’s anunciou o corte em um nível do rating soberano da Espanha e a manutenção da perspectiva negativa sobre a nota.

Nos Estados Unidos, os pedidos de auxílio desemprego subiram mais do que o esperado pelos analistas, passando para 397 mil requerimentos na passagem semanal, frente aos 382 mil projetados. A balança comercial, por sua vez, ampliou seu déficit no mês de janeiro ao atingir US$ 46,3 bilhões, superando a expectativa de saldo negativo de US$ 41,5 bilhões.

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Na China, foi a balança comercial que decepcionou, ao surpreender com um déficit de US$ 7,3 bilhões em fevereiro.

Agenda interna
Na agenda interna, destaque ao IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) que registrou aceleração da inflação na primeira semana de março marcando variação positiva de 0,59% nos preços, taxa 0,10 ponto percentual superior àquela vista na semana anterior

Por aqui, a ata do Copom apontou que “a inflação acumulada em 12 meses tende a permanecer em patamares similares ou mesmo superiores àquele em que atualmente se encontra” neste e nos próximos dois trimestres e que no último haverá uma tendência de queda acumulada em 12 meses. Ainda sobre o conteúdo da ata, a Rosenberg Consultores avalia que o Copom parece estar inclinado à “eventual introdução de ações macroprudenciais”.

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Por fim, o Banco Central indicou que o fluxo cambial acumulado nos primeiros quatro dias úteis de março ficou positivo em US$ 1,424 bilhão. Até a última sexta-feira, o fluxo comercial teve saldo negativo de US$ 657 milhões, ao passo que o fluxo financeiro teve superávit de US$ 2,081 bilhões. 

Dólar e Renda fixa
O dólar comercial assume trajetória positiva e tem alta de 0,24% nesta quinta-feira. A moeda norte-americana é cotada a R$ 1,6610 na venda. Apesar da variação desta quinta-feira, a moeda norte-americana registra queda de 0,12% neste mês de março e uma desvalorização de 0,31% desde o início do ano.

Por fim, os principais contratos de juros futuros da BM&F Bovespa mostram baixa nesta sessão, em repercussão à ata da última reunião do Copom.