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SÃO PAULO – O Banco Central do Brasil divulgou nesta quarta-feira a Ata do Copom, relativa à última reunião da autoridade monetária realizada entre os dias 18 e 19 de março, na qual decidiu-se pela manutenção da taxa Selic em 26,5% ao ano, com a introdução de um viés de alta.
De acordo com o documento do BC, a adoção do viés foi feita de forma a permitir a entidade maior flexibilidade na condução da política monetária caso o cenário externo, com o início da Guerra do Iraque, deteriore e surjam novas pressões inflacionárias. Além disto, apesar da inflação dar sinais de desaceleração, ainda não está claro com que rapidez ela irá recuar para patamares mais aceitáveis.
Inflação confirma tendência de desaceleração
Segundo notificado pela Ata do Copom, os principais índices de preços da economia confirmaram a tendência de desaceleração da inflação nos primeiros meses deste ano.
No caso do IPCA, por exemplo, a inflação recuou de 3,02% em novembro para 1,57% em fevereiro, ainda mais acentuada foi a queda dos preços livres, cujo pico foi atingido em novembro (2,53%) e desde então caiu para 1,12% em fevereiro. Confirmando esta tendência, a inflação medida pelo núcleo de médias aparadas, que havia permanecido estável em 1,30% desde novembro, caiu para 0,93% em fevereiro.
Também as primeiras prévias da inflação de março confirmam esta tendência, em especial no que refere aos itens de alimentos e bebidas, educação e transportes, exatamente aqueles que mais pressionaram a inflação de fevereiro. Diante disto, com base na coleta de dados de março a expectativa é de que a inflação de março medida pelo IPCA fique abaixo de 1%, seu menor patamar em seis meses.
Tendência para IPCA é de queda
Também pode ser constatada uma interrupção na trajetória de alta da mediana das projeções de mercado para a inflação anula medida pelo IPCA de 2003. Depois de subir por sete semanas consecutivas, a mediana recuou para 12,3% segundo o relatório Focus do Banco Central, divulgado na véspera da reunião do Copom.
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Entretanto, vale ressaltar que esta projeção inclui a inflação dos dois primeiros meses do ano que foi bastante elevada. Assim sendo, se analisarmos as projeções do mercado para a inflação dos próximos 12 meses, ela caiu de 10,7% para 9,7% entre a reunião de fevereiro e a de março do Copom.
Ainda que a inflação projetada esteja acima da meta para 2003, de 8,5%, as perspectivas para a queda da inflação a partir do segundo trimestre deste ano são favoráveis, de forma que o colegiado estaria confiante de que a meta possa ser alcançada. Neste contexto, o Copom confirmou sua meta para superávit primário de 4,25% do PIB, de forma que o controle da inflação será, segundo a autoridade, resultado de um esforço contínuo também do lado fiscal.