Ata do Copom: Comitê associa alta da Selic à deterioração da inflação

Pressão inflacionária foi o ponto mais discutido na última reunião; evidências já apontam para aceleração do IPCA em abril

Publicidade

SÃO PAULO – Em sua última reunião ocorrida nos dias 27 e 28 de abril, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) optou por elevar a taxa Selic em 75 pontos-base, para 9,5% ao ano, após cinco manutenções consecutivas. Nesta quinta-feira (6), a autoridade divulgou a ata da reunião, explicando os motivos que nortearam esta decisão. 

“Pressões inflacionárias” e “ajuste da política monetária” são alguns dos termos que pontuaram o documento. De forma geral, a deterioração do cenário inflacionário, bem como “os sinais de persistência do descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e das ofertas agregadas”, foram os fatores que levaram o Comitê a promover um ajuste na postura de política monetária.

Pressão inflacionária
Na avaliação do comitê, desde a sua última reunião houve deterioração no cenário prospectivo, conforme é possível notar na variação da medida de inflação nacional. “O conjunto de informações disponíveis aponta continuidade da deterioração da dinâmica inflacionária na margem”, comenta.  

No documento, o Banco Central demonstra maior preocupação em relação ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) tanto neste ano quanto no próximo. No curto prazo, os membros do Comitê afirmam que “evidências preliminares indicam inflação ao consumidor em abril acima do patamar observado em março”.

Como consequência, a projeção para a inflação de 2010, considerando o cenário de referência da autoridade monetária, elevou-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de janeiro, e se encontra sensivelmente acima do valor central de 4,50% da meta fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

Sinalizações
“O Copom orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação, a análise de diversos cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica prospectiva dos preços e o balanço do risco associado às suas projeções”.

Continua depois da publicidade

Avaliando o atual cenário, os membros chegaram a um consenso quanto à “necessidade de se adequar o ritmo de ajuste da taxa básica de juros à evolução do cenário inflacionário prospectivo”. A concepção sinaliza que novas medidas deverão ser tomadas caso as pressões inflacionárias persistam.

Como na última ata, os membros reforçaram o tom mais temeroso quanto ao ritmo da inflação, elevando a probabilidade de que novos apertos monetários possam estar por vir. Assim, fica a expectativa para a próxima reunião do Copom, já agendada para os dias 8 e 9 de junho.