Ata do Copom classifica elevação do juro básico como ajuste monetário “gradual”

Documento reforça a perspectiva de novas elevações da taxa Selic, através de ajustes por um período "suficientemente prolongado"

Publicidade

SÃO PAULO – A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) aponta para um processo de ajuste “gradual” da política monetária brasileira, deixando aberto o caminho para novas elevações do juro básico ao longo deste ano. O documento foi publicado nesta quinta-feira (16).

Na sua última reunião, que aconteceu nos dias 7 e 8 deste mês, decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juro em 0,25 ponto percentual, de 12,00% para 12,25% ao ano, sem viés. O comitê voltará a seu reunir nos dias 19 e 20 de julho.

Além de classificar como gradual o ajuste da taxa Selic, outro ponto que corrobora com a indicação de novos ajustes na política monetária é a reiteração do entendimento que “a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado continua sendo a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012”.

Inflação alta nos próximos meses
A ata do Copom novamente indica que a trajetória de inflação com a qual o comitê trabalha tem dois momentos distintos. Neste trimestre e no próximo, a inflação acumulada em 12 meses tenderia a ficar num nível maior que o registrado ao longo do primeiro semestre deste ano.

Essa inflação num patamar mais elevado seria explicada, “em grande parte”, pela inércia trazida de 2010, a duração de choques que atingiram a economia no final do ano passado e no início de 2011 e pela expectativa de inflação mais forte nos próximos meses, a partir da comparação entre as projeções e o registrado em 2010.

Num segundo momento, já no quarto trimestre deste ano, o cenário central utilizado pelo Copom indica, segundo a ata, “tendência declinante para a inflação acumulada em doze meses, ou seja, deslocando-se na direção da trajetória de metas”.

Continua depois da publicidade

Ainda sobre o cenário para a inflação trabalhado pelo comitê, a ata dessa última reunião mostra que o Copom reitera a necessidade de que as variáveis fiscais fiquem de acordo com as suas expectativas. Outro ponto pressuposto pelo cenário traçado pelo comitê é a “moderação na expansão no mercado de crédito”.

Cenário para a inflação
Ao contrário de suas últimas atas, que apontavam para uma desfavorável do cenário para a inflação, desta vez o comitê considerou que “o cenário prospectivo para a inflação, desde sua última reunião, mostra sinais mais favoráveis”. A percepção do Copom continua sendo de que no último trimestre de 2010 e no primeiro deste ano, “a inflação foi forte e negativamente influenciada por choques de oferta”. Nesse ponto, o grupo agora aponta que os preços ao consumidor já teriam incorporado “grande parte” desses choques.

São citados ainda riscos relevantes para a inflação advindos da diferença entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda, embora haja sinais de que esse descompasso tende a diminuir. Outras ameaças viriam da possibilidade de concessão de reajustes salariais incompatíveis com o crescimento da produtividade, risco considerado “muito importante” pelo comitê, e também da trajetória da cotação das commodities nos mercados internacionais.

Continua depois da publicidade

Ambiente econômico
Na visão do Copom, o ambiente econômico continua tendo um nível de incerteza acima do usual, com “riscos à concretização de um cenário em que a inflação convirja tempestivamente para o valor central da meta”.

Nos mercado internacionais, o comitê novamente avalia que “a volatilidade e a aversão ao risco se elevaram desde sua última reunião”, por conta de fatores como o alto nível de liquidez e as dúvidas quanto a recuperação da atividade. É destacada a queda nos preços de commodities, em especial as agrícolas, e a desvalorização do dólar. Além disso, o Copom aponta ainda que “a trajetória dos índices de preços mostra clara disseminação de pressões inflacionárias nas principais economias”, não sendo algo exclusivo do Brasil.

Já no contexto doméstico, o comitê avalia as perspectiva para a atividade econômica como “favoráveis”, percepção que ganha força através dos dados preliminares sobre o ritmo de crescimento da economia neste trimestre. O Copom destaca que essa avaliação encontra suporte na perspectiva de continuidade da expansão da oferta de crédito, ainda que num ritmo menor que num passado recente, e na elevada confiança de consumidores e empresários. Adicionalmente, também é citado o “dinamismo da atividade doméstica”, sustentado pelo fortalecimento do mercado de trabalho.