Ata do Copom aponta queda da atividade econômica

Aumento das exportações não consegue compensar as fracas vendas da indústria e do comércio; consumidores estão menos confiantes

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SÃO PAULO – A ata do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada no final da tarde desta quarta-feira, dia 26, divulgou uma análise do desempenho da economia nos primeiros meses deste ano.
De acordo com o relatório, tanto a atividade industrial quanto o desempenho do comércio varejista estariam perdendo fôlego nestes primeiros meses do ano. Assim sendo, a demanda agregada da economia estaria sendo sustentada pelo aumento do volume de exportações e pela substituição de importações, que estariam compensando, pelo menos parcialmente, a queda nos rendimentos reais e a deterioração das condições de crédito da economia.
Vendas e confiança do consumidor recuaram

A pesquisa mensal do IBGE sobre o comércio varejista indica uma queda no volume de vendas de 4,9% no primeiro mês de 2003 frente ao mesmo período no ano passado.
Este recuo teria ficado bastante próximo àquele registrado no final de 2002, tanto é que no acumulado de 12 meses houve apenas um ligeiro avanço da queda, que passou de 0,7% para 1% entre dezembro e janeiro deste ano. O pior desempenho ficou com o setor de hipermercados e supermercados, que registraram queda nas vendas pelo segundo mês consecutivo, diante da perda de poder aquisitivo dos trabalhadores.
Por sua vez, o índice de confiança do consumidor para o mês de março da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP) recuo de 102,5 pontos para 97,8 pontos, o que resulta de uma queda de 7,7% nas intenções atuais de consumo e de 3% nas intenções futuras de consumo. Esta queda seria resultante de uma reversão do otimismo pós-eleições devido à deterioração do cenário internacional, com o início da Guerra do Iraque.
Inadimplência subiu

As estatísticas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para fevereiro voltaram apontar um recuo da inadimplência no comércio, desta vez de 2,2% em relação ao registrado em janeiro. Entretanto, como os registros cancelados caíram de forma mais acentuada (7,1%), a inadimplência líquida acabou subindo de 6,2% para 6,8% em fevereiro.
No que refere à inadimplência da carteira de crédito com recursos livres das instituições financeiras, foi registrado uma elevação de 0,2 ponto percentual, com a taxa de inadimplência geral alcançando 8,4%. Este aumento reflete uma taxa de inadimplência de 15,1% entre pessoas físicas e de 4,5% entre empresas.

Produção industrial cresceu

Segundo o IBGE, a produção industrial do país cresceu 0,7% em janeiro frente ao mês de dezembro, impulsionada pelo bom desempenho da produção extrativa mineral (+13,7%) devido ao término das paradas programadas, nos dois últimos meses do ano passado, para manutenção dos poços de petróleo e gás.
Ao analisarmos os resultados de janeiro, verifica-se que a atividade industrial começa a dar sinais de estabilização, com exceção apenas dos setores ligados ao comércio exterior. Em decorrência desta tendência, as vendas da indústria caíram, pelo terceiro mês consecutivo, em janeiro quando registraram recuo de 0,1%.
Desemprego caiu

No que refere ao mercado de trabalho, a nova pesquisa mensal de emprego do IBGE apontou uma taxa de desemprego de 11,2% em janeiro frente a 10,5% em dezembro do ano passado. O aumento não chega a surpreender, uma vez que reflete uma tendência sazonal, visto que muitos desempregados voltam a procurar emprego em janeiro.
Com base na análise destes fatores, o nível de atividade perdeu fôlego entre o final do ano passado e o início deste ano, independente do aumento da atividade do setor exportador. Com a combinação de aumento da inflação e conseqüente queda dos rendimentos reais, a demanda interna acabou dando sinais de desaquecimento. Esta mudança de tendência teria acabado refletindo no sentimento dos consumidores, que também teria deteriorado neste período.