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SÃO PAULO – O Banco Central do Brasil divulgou nesta quarta-feira a Ata da reunião do Copom, realizada na semana passada. Segundo o documento, a decisão pela manutenção da taxa Selic para 18,00%, com atribuição de viés de baixa, foi unânime entre os membros do comitê.
A decisão foi motivada pelo aumento das incertezas em relação à concretização das hipóteses do cenário básico até o final de 2003, dado o aumento da percepção de risco tanto em relação ao Brasil quanto em relação aos países industrializados, e relevando o fato da inflação projetada para o próximo ano estar abaixo da meta.
Queda do dinamismo da atividade econômica preocupa
O colegiado voltou a reconhecer que a atividade econômica do Brasil tem perdido dinamismo nos últimos meses, comentando o impacto da instabilidade recente do mercado financeiro sobre o nível de demanda agregada. O comitê apontou que a maioria dos dados referentes à indústria mostrou queda em junho em relação a maio. Segundo dados do IBGE, a atividade fabril caiu cerca de 0,8%.
A instabilidade econômica, com as incertezas referentes às taxas de juros mais elevadas, segue retraindo a demanda por crédito, que junto a uma oferta reduzida, com a restrita seletividade na oferta de recursos pelas instituições financeiras, manteve o volume de créditos a um patamar bastante baixo. A estagnação do mercado de crédito refletiu na redução de 5,5% no o Índice de Intenções do Consumidor (IIC).
Déficit de transações correntes cai significantemente
A balança comercial registrou superávit de US$ 6,4 bilhões no acumulado de 12 meses até julho, o maior saldo comercial em doze meses equivalentes desde 1995, e US$ 1,1 bilhão a mais que o registrado em junho.
Já o déficit em transações correntes tem diminuído continuamente desde agosto de 2001, nos últimos doze meses, atingindo US$16,7 bilhões em julho, financiado pelos ingressos líquidos de investimento estrangeiro direto, que completaram cerca de US$ 20,6 bilhões no acumulado em doze meses até julho.
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Porém, o Copom comentou que a redução que vem ocorrendo nas transações correntes não foi suficiente para compensar o enxugamento da liquidez internacional observado recentemente.
Inflação sobe, mas expectativas continuam abaixo da meta
No que diz respeito à inflação, os principais índices de preços mostraram maiores pressões em julho, devido principalmente ao reajuste de preços monitorados, o início da entressafra e as repercussões da forte depreciação cambial, com maior intensidade nos preços no atacado.
O IGP-DI elevou-se 2,05%, frente 1,74%, em junho, completando 6,21% no ano. Já o IPCA subiu 1,19% em julho, ante a variação de 0,42%, em junho, completando 4,17% no ano. Além disto, o Copom apontou que o mercado elevou suas expectativas para os índices de inflação para este ano e para o próximo.
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Instabilidade externa prejudica países emergentes
No âmbito externo, o Copom comentou que, apesar da melhora recente, as incertezas frente aos resultados corporativos, principalmente nos EUA, continuam causando volatilidade nos mercados de capitais e aversão ao risco, restringindo a liquidez aos países emergentes, com importantes conseqüências para a América Latina e a Turquia.
O comitê ainda afirmou que tal quadro se agrava ainda mais pela falta de recuperação da atividade econômica dos países avançados e pela queda do comércio internacional.
Finalmente, o Copom indicou que a conclusão do acordo com o FMI, com candidatos a presidente concordando com seus princípios gerais, a redução dos deságios dos títulos públicos junto à recente evolução na indústria de fundos, e também um aumento nas linhas de crédito internacionais para o Brasil, são extremamente favoráveis para a recuperação da credibilidade brasileira, justificando o viés de baixa.