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SÃO PAULO – O Banco Central do Brasil divulgou nesta quarta-feira a Ata da reunião do Copom, realizada na semana passada. Segundo o documento, a decisão pela manutenção da taxa Selic para 18,00%, com a retirada do viés de baixa, foi unânime entre os membros do comitê.
A decisão foi motivada pela permanência das incertezas em relação à concretização das hipóteses do cenário básico até o final de 2003, junto ao forte clima de instabilidade tanto do mercado externo quanto do mercado externo. O Copom se mostrou preocupado com a possibilidade da manutenção da volatilidade dos mercados financeiros aumentar o risco associado à concretização da projeção de inflação para 2003.
Copom comenta indicadores de produção
O colegiado voltou a reconhecer que os indicadores de produção do Brasil têm perdido dinamismo nos últimos meses, mas considerou o resultado do mês de julho levemente positivo, se comparado com as expectativas do mercado, que apontavam desempenho pior. A série dessazonalizada da produção industrial manteve-se praticamente estável em julho, quando comparada a junho.
O patamar de produção ainda é mais baixo comparativamente aos primeiros meses do ano, mas a estabilidade pode ser considerada positiva, se for levado em conta que a elevação dos estoques industriais e a queda nos níveis de expectativas dos empresários, que apontavam menor produção, apurados para o mesmo período, poderiam causar uma queda da atividade fabril no mês.
Atividade varejista e comércio exterior tiveram bom desempenho
Porém, o Copom salientou que os indicadores econômicos relacionados à atividade varejista e ao comércio exterior mostraram-se favoráveis. No âmbito interno, os resultados repercutem as medidas adotadas pelo governo para estabilizar o mercado de câmbio, como o acordo com o FMI, além dos desembolsos do FGTS, iniciados em junho. Em relação às vendas externas, o bom desempenho se deveu à forte desvalorização do real, que torna nossos produtos baratos no exterior.
Em agosto o superávit comercial foi de US$ 1,6 bilhão, o mais elevado desde maio de 1990, acumulando US$ 7,4 bilhões em doze meses. Já o déficit em transações correntes acumulado em doze meses, até julho, atingiu US$ 16,7 bilhões, o menor resultado nessa forma de comparação desde julho de 1996.
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Principais índices devem mostrar desaceleração da inflação em setembro
O Copom apontou que a inflação manteve-se elevada em agosto, graças principalmente aos efeitos da entressafra agrícola e os impactos da recente depreciação cambial. O IGP-DI elevou-se 2,36% em agosto, frente 2,05%, em julho, completando 8,75% no ano. Já o IPCA subiu 0,65% em agosto, ante a variação de 1,19%, em junho, completando 4,85% no ano.
O Copom declarou que a permanência de pressões decorrentes da recente depreciação do real e a continuação da alta dos preços da alimentação deverão ser os principais determinantes nos índices em setembro. Porém, o Comitê acredita que as taxas dos principais índices de preços deverão continuar a mostrar desaceleração, graças ao efeito de redução do preço do gás de bujão em setembro e a perspectiva de aumentos menores nos preços da alimentação para os próximos meses.
Projeções de inflação são aumentadas
O Copom concluiu que com a manutenção da taxa de juros em 18,0% ao ano, e contando com o dólar cotado a R$ 3,20, patamar que prevalecia na véspera da reunião do Copom, a inflação deverá ficar significativamente acima do limite superior do intervalo de tolerância em 2002, e acima do centro da meta em 2003.
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Nesse contexto, as expectativas de inflação coletadas pelo Banco Central do Brasil aumentaram desde a última reunião de Copom. Para 2002, as expectativas passaram de 6,4% para 6,6%. Já para 2003, as expectativas de inflação passaram de 4,6% para 5,2%. O Copom considerou que os fatores mais importantes que determinam essas novas projeções são a acentuada alta do dólar e os recentes aumentos dos derivados de petróleo.
Cenário externo prejudica
O Copom considerou que o cenário internacional continua sendo caracterizado pela forte instabilidade, com as perdas acumuladas nas bolsas de valores internacionais completando cerca de dois anos, acentuado pelo o impacto dos escândalos contábeis de grandes corporações nos Estados Unidos, e pelo desempenho ruim da economia real norte-americana, que aumentaram a fragilidade da economia global.
Além disto, a recentemente expectativa em relação a um possível ataque ao Iraque contribuiu para pressionar as cotações do petróleo, que voltou para o patamar de US$ 30 por barril. O Copom considera que nesse quadro de instabilidade e aversão ao risco, as condições de financiamento para as economias emergentes pioraram, prejudicadas também pelo declínio do comércio internacional, coerente com o quadro de lento crescimento mundial.