Ata do Copom afirma que aumentou a Selic com o intuito de conter a inflação

Copom não descarta efeito do dólar sobre a inflação, mas diz que o aumento da Selic a 21% a.a. visa conter a alta de preços

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SÃO PAULO – Segundo a ata do Copom divulgada nesta quarta-feira, referente à reunião extraordinária em que se elevou a taxa Selic de 18% para 21% ao ano, a decisão do comitê objetivou o enquadramento da inflação dentro da trajetória de metas, não visando determinar um nível para a taxa de câmbio.

Apesar da ênfase na importância da inflação na política monetária, não se descartou a importância da elevação do dólar nas perspectivas inflacionárias. O Copom volta a se reunir nos dias 22 e 23 de outubro de 2002.

Alta do dólar impulsionou a inflação

Segundo o Copom, a aceleração da inflação observada nos últimos períodos foi proporcionada principalmente pela desvalorização cambial. Neste sentido, a alta dos preços indicada pelo índice IPCA de setembro ficou em 0,72%, superando tanto as expectativas do Comitê como a variação em agosto, que registrou alta de 0,65%, como conseqüência da alta dos preços livres.

Na reunião realizada em setembro, o Copom previa uma fase de transição política menos tumultuada, fixando o dólar a R$ 3,20 e previsão de inflação de 5,2% para 2003. Entretanto, devido à degradação da economia interna, o dólar atinge R$ 3,90, o que aumenta a expectativa de inflação em 2003 para 5,9%.

Devido ao aumento da projeção da inflação para 2003, a Ata do Copom propõe uma política monetária mais restritiva, o que desaceleraria o repasse da alta do dólar sobre os preços, melhorando as expectativas inflacionárias, tendo em vista que a alta dos preços deve-se principalmente ao efeito da desvalorização cambial sobre os preços, e não pelo aumento da demanda. Com isso, deseja-se retomar o crescimento sustentado, não inflacionário, para 2003.