Assaí ganha novo aliado: o que muda com entrada do Muffato no capital do atacarejo?

Fundos ligados a irmãos Muffato adquirem posição acionária no Assaí

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Logo do Assaí em loja da rede em São Paulo 11/01/2017 REUTERS/Paulo Whitaker
Logo do Assaí em loja da rede em São Paulo 11/01/2017 REUTERS/Paulo Whitaker

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O Assaí (ASAI3) informou que a família Muffato, dona de um dos maiores varejistas privados do Brasil, assumiu uma posição relevante na companhia por meio de ações e derivativos, alcançando exposição econômica um pouco acima de 10% do capital. Durante a manhã, as ações ASAI3 subiam cerca de 2% nesta quinta-feira (27).

Segundo o atacarejo, os investidores afirmam formalmente não ter intenção de influenciar o controle ou a gestão, não possuem acordos de voto e submeterão a operação ao Cade, conforme exigido. A posição é descrita como construtiva, com os irmãos Muffato se colocando à disposição para compartilhar experiência operacional quando apropriado.

O JPMorgan avalia a entrada do Muffato como um pequeno ponto positivo, pois trata-se de um operador respeitado no segmento de atacarejo, com atuação relevante em São Paulo, e sua presença pode apoiar comparações operacionais e consultas informais.

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Diante disso, a execução nunca foi a principal preocupação na tese de Assaí, e a empresa não sofria de um déficit gerencial ou operacional que essa participação, por si só, resolvesse. Assim, embora o Muffato possa oferecer expertise adicional, não altere a tese de investimento da companhia, que continua pressionada pela alavancagem financeira e pelo cenário de inflação de alimentos.

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Na visão do JPMorgan, o anúncio não é suficiente para neutralizar os desafios macroeconômicos e de balanço que ainda sugerem risco baixista em relação ao consenso. “Embora não vejamos implicações societárias no curto prazo, a presença do Muffato cria alguma opcionalidade de longo prazo para M&As de pequeno porte ou transações pontuais de ativos, nada disso, porém, faz parte do nosso cenário-base ou muda nossa recomendação de venda”, comenta o banco.

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Com Assaí negociando a 16 vezes e 10 vezes P/L (Preço sobre Lucro) estimado para 2026 e 2027, o JPMorgan manteve o preço-alvo de R$ 8,50.

Para o Itaú BBA, a entrada dos Muffato fortalece a narrativa sobre as ações, mas não altera fundamentalmente a sua tese de investimento no curto prazo, visto que os recentes desafios de desempenho da Assaí são impulsionados principalmente por dificuldades macroeconômicas e concorrência acirrada, em sua opinião, e não por problemas de execução ou qualidade da gestão que poderiam ser aprimorados com a adição de um parceiro estratégico. A recomendação do BBA é outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 13.

Sobre Muffato

O Grupo Muffato consolida-se como um dos maiores varejistas privados do Brasil, mantendo controle familiar sobre cerca de 110 lojas e gerando aproximadamente R$ 17,4 bilhões em vendas através de um modelo híbrido de supermercados e atacarejo.

Com forte liderança no Paraná, o grupo expandiu sua atuação em São Paulo após adquirir e converter unidades do Makro. Essa solidez operacional faz com que sua entrada no capital do Assaí seja vista como positiva, embora não altere a tese de investimento da companhia, que continua pressionada pela alavancagem financeira e pelo cenário de inflação de alimentos.