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(Reuters) – A equipe do grupo financeiro ASA enxerga um ambiente externo ainda favorável para mercados emergentes como o Brasil e não descarta o Ibovespa alcançar 300 mil pontos em um ou dois anos em um cenário que classifica como “otimista” e que é baseado em uma mudança de política econômica no país.
“Em um cenário onde tenhamos uma mudança de política econômica, implementação de reformas e endereçamento do problema do crescimento do gasto público, podemos ver a taxa de juros real cair cinco, seis pontos percentuais”, afirmou o head de investimentos do Asa, Rogerio Freitas.
“Condicionado a uma mudança de política econômica…com uma taxa de juros geral de equilíbrio caindo muito, podemos ter o Ibovespa indo de 150 mil pontos para 300 mil pontos”, afirmou o executivo em videoconferência da instituição financeira com jornalistas nesta quarta-feira.
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Nesta quarta-feira, o Ibovespa renovou máxima histórica, perto de 162 mil pontos, acumulando em 2025 uma valorização de quase 35%.
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O Brasil “corrigindo um pouco a rota da política fiscal, a consequência é ter uma política monetária mais, vamos dizer, civilizada. E essa queda do juro real pode favorecer muito, muito os ativos brasileiros”, afirmou.
Freitas classificou a eleição presidencial de 2026 como um evento binário para os mercados, para o qual ainda não é possível se posicionar. “Temos que ir acompanhando ao longo do tempo para saber se vamos ter alguma visão diferente em termos de probabilidade desse evento.”
Mesmo em um cenário de continuidade da atual política econômica no país, a equipe do ASA vê o ambiente global – com crescimento econômico pequeno, mas saudável, e queda de juros nos Estados Unidos – benigno a emergentes, com potencial de sustentar os ativos brasileiros ou amortecer uma eventual piora.
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“O mercado, de uma forma geral, continua favorável para ativos de risco como um todo…emergentes e o Brasil podem se beneficiar”, afirmou o head global de investimentos do ASA, Charles Ferraz, acrescentando que o país poderia se beneficiar mais, não fossem os desafios fiscais.
Ferraz afirmou que o Brasil não é o único país com desafios fiscais, mas acrescentou que, com juros tão elevados, a velocidade de deterioração é muito maior do que em outras economias.
Em outubro, a dívida pública bruta do Brasil como proporção do PIB alcançou 78,6%, contra 78,1% no mês anterior. Já a dívida líquida do setor público foi a 65,0%, de 64,8%. A taxa básica de juros Selic, por sua vez, está em 15%, maior patamar em quase 20 anos, com o IPCA em 12 meses até outubro em 4,68%.
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“Esse desafio…independente se é governo A ou B, a política implementada vai fazer muita diferença”, acrescentou Ferraz. “Tem uma onda vindo, você pode usar uma prancha legal e aí você vai longe. Se você não tiver cuidado, pode virar uma marola e você não só não pega a onda, você perde essa chance.”