As metas de Brasília para inflação e desemprego

O otimismo, mesmo moderado de alguns governistas, a respeito da economia brasileira não é partilhado no mundo não oficial, fora da capital da República

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Apesar do discurso otimista do governo, nas falas, agora preferencialmente na Internet, da presidente Dilma Rousseff, e em promessas do Banco Central que atingirá a meta de inflação de 4,5% no fim de 2016, a visão do mundo não oficial, com algumas exceções, continua sem entusiasmo.

O retrato pode ser medido nesta segunda-feira pelas expectativas dos especialistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central no Boletim Focus. Para a inflação de 2016 registrou-se até uma baixa, de 5,60% para 5,61%, ainda bem acima da meta oficial. Para o crescimento da economia, porém, a perda nas perspectivas, vistas de fora de Brasília, continua: passou da queda de 1.18% para 1,20% para o PIB este ano.

A visão dos especialistas não-governamentais está baseada em fatos reais, do comportamento resistente de alguns preços e da situação de produção  na indústria e nas vendas do comércio. Dados iniciais do movimento do Dia das Mães nos shoppings, o segundo melhor para o setor no ano, indicam, uma quase estagnação das vendas este ano em relação ao ano passado.

O otimismo do governo, pelo menos quanto a inflação, parece também estar baseada em fatos reais:

1. Na baixa atividade da economia, que afasta os consumidores das lojas e inibe grandes reajustes de preços. A expectativa ficou reforçada pelo IPCA (inflação oficial) de abril, de o,71% abaixo da previsão média do mercado, e a primeira a ter ficado abaixo de 1% em 2015. Mesmo assim, em quatro meses, os preços subiram 4,56%, já estourando a meta oficial do ano.

2. No aumento do desemprego (e também perda média de renda do trabalhador), outro fator a moderar o consumo. Isto ficou muito claro, meio na linguagem cifrada do Banco Central, na ata da última reunião do Copom, quando a autoridade monetária se refere ao início de “moderação” do mercado de trabalho.

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A ” moderação” está expressa no índice de desemprego medido pela PNAD Contínua do primeiro trimestre, uma pesquisa bem mais abrangente que a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ambos do IBGE. Pela PNAD o desemprego, levantado em cerca de 3,500 municípios, contra o da PME, de apenas seis regiões metropolitinas, saltou de 6,5% no trimestre encerrado em dezembro de 2014 para 7,9% no trimestre findo em março agora.

Este lado do discurso o governo não confessa de público. Mas no momento é o real.