As ações que podem subir com a guerra comercial entre EUA e China

De forma geral, são os papéis de companhias que competem com chineses ou americanos em algum mercado, apontam analistas

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SÃO PAULO – Os últimos dias deixaram claro que o impasse comercial entre China e Estados Unidos está longe do fim.

Apesar de o estresse ter diminuído um pouco depois do pico atingido na segunda-feira, quando o presidente Donald Trump afirmou que elevaria tarifas de importação, nesta sexta a China minimizou as chances de um acordo e a maioria dos especialistas acredita que esta discussão vai longe, o que significa que a disputa ainda terá reflexos no comportamento dos mercados. 

O maior risco é que a queda de braço provoque uma desaceleração nas duas economias, o que prejudicaria o já não muito empolgante crescimento mundial. Por isso, quando a situação fica mais tensa, as bolsas tendem a cair, como aconteceu na segunda-feira, quando o S&P 500 fechou em baixa de 2,41% e o Ibovespa recuou 2,69%.

Mas nem todas as empresas saem prejudicadas da disputa. Analistas ouvidos pelo InfoMoney identificaram algumas ações que podem se beneficiar da situação. De forma geral, são os papéis de companhias que concorrem com chineses ou americanos em algum mercado. 

É o caso, por exemplo, da siderúrgica Gerdau (GGBR4), que se beneficiou do anúncio da sobretaxa de 25% nas importações de aço e de 10% nas de alumínio anunciada por Trump em março de 2018. Como a Gerdau tem fábricas nos EUA, ficou livre da tarifa. 

“A empresa mostrou, quando as primeiras barreira de aço e alumínio foram anunciadas, que pode se beneficiar fortemente na operação de negócios América do Norte”, afirma Adeodato Volpi Netto, sócio da Eleven Financial Research. Na época do anúncio, as ações da Gerdau subiram 21,4% em dois meses, enquanto o Ibovespa avançou apenas 1,9%.

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O estrategista da Eleven ainda cita mais duas companhias que poderiam ter vantagens. A primeira está no setor industrial e, segundo ele, não tem recebido muita atenção, a Iochpe Maxion (MYPK3), que fabrica componentes automotivos. A empresa tem unidades no México e nos EUA, ou seja, está inserida diretamente no mercado norte-americano e pode se aproveitar da redução da concorrência chinesa.

Em seu resultado do primeiro trimestre, por exemplo, a Iochpe viu sua receita operacional líquida subir 15,1%, para R$ 2,468 bilhões, exatamente por conta do crescimento da produção de veículos comerciais no NAFTA e do volume de rodas de alumínio naquele mercado, por conta do aumento de capacidade na planta do México.

“Outro case menos óbvio é a Portobello (PTBL3), que vem aumentando sua capacidade de distribuição nos EUA e cujo mercado é marcado pela competição da cerâmica chinesa”, aponta Adeodato.

Já Betina Roxo, analista da XP Investimentos, lembra dos frigoríficos, que podem se favorecer caso não ocorra um acordo, já que disputa com a China as exportações para os EUA. “Quando parecia que um acordo comercial estava iminente, o temor era justamente o que poderia acontecer com os frigoríficos, já que a China voltaria a vender mais para os EUA, mas estamos vendo a peste suína na Ásia levando a um rebalanceamento no mundo de carnes”, avalia.

Apesar disso, ainda não há um movimento de recomendação destes papéis já que ainda existem muitas incertezas sobre a guerra comercial.

Apesar de haver perspectivas positivas para algumas empresas, Adeodato Volpi Netto diz que as preocupações com a atividade global podem acabar neutralizando parte do ganho teórico das ações, que seriam prejudicadas por este possível recuo das maiores economias do mundo.

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Uma desaceleração da China poderia prejudicar as produtoras de commodities, especialmente a Vale, há que o país ainda é um grande comprador de minério de ferro.

Ainda que apontem possíveis ganhadores com a guerra comercial, os analistas não têm incluído essas ações em suas listas de recomendações, em razão das incertezas sobre a relação entre EUA e China. “Neste momento é complicado fazer uma análise fria dos impactos porque este é um tipo de evento com muitos desdobramentos. Não há uma resposta trivial, não é tão fácil analisar quanto antes”, afirma Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos.

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Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.