As ações que mais subiram no ano e o que elas têm em comum

De acordo com levantamento do Portal InfoMoney, as ações do frigorífico Minerva (BEEF3) apresentam maior alta no ano, com valorização de 140,03%

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SÃO PAULO – De uma maneira geral, o mercado acionário brasileiro segue indefinido, alternando momentos de maior euforia com outros de perdas importantes. O Ibovespa (principal índice da bolsa de valores brasileira) continua de lado ao longo do ano e acumula (até o dia 8 de outrubro), valorização de 4,52%.

No entanto, algumas empresas estão apresentando comportamento bem diferente a suas ações registram valorização expressiva no ano. De acordo com levantamento do Portal InfoMoney, as ações do frigorífico Minerva (BEEF3) apresentam maior alta no ano, com valorização de 140,03%. Em seguida, figuram as units da Kroton – foto – (KROT11), que avançaram 102,07% em 2012.

Outra empresa de educação, a Estácio (ESTC3), também figura nesta lista, com elevação de 100,42% conforme a tabela a seguir:

ações
Ação Empresa Valorização no ano*
InfoMoney

*Até as 11h do dia 9/10

BEEF3 Minerva 140,03%
KROT11 Kroton 102,07%
ESTC3 Estácio 100,42%
FJTA4 Forjas Taurus 96,24%
SAPR4 Sanepar 96,19%
GRND3 Grendene 90,04%
RADL3 Raia Drogasil 88,94%
HYPE3 Hipermarcas  88,47%
VLID3 Valid  86,61%
FJTA3 Forjas Taurus ON  79,73%
LEVE3 Metal Leve 78,69%
AMIL3 Amil  78,09%
SCAR3 São Carlos  75,54%
MILS3 Mils  75,34%
SBSP3 Sabesp  74,56%

Ações voltadas para consumo interno
O diretor da Valore Investimentos Personalizados, Sérgio Quintella, aponta que as ações que mais valorizaram no ano são prioritariamente de empresas voltadas para o consumo interno.

Ele lembra que os setores de commodities e bancos, que historicamente concentram a maior parte dos investimentos, apresentam dificuldades este ano, beneficiando as ações de empresas ligadas a outros setores. “Tradicionalmente os brasileiros investem em sua grande maioria em papéis voltados a commodities e bancos. No entanto, os papéis que representam empresas fabricantes de commodities são muito dependentes da recuperação da economia mundial e os bancos, com a queda das taxas de juro, também encontram um viés negativo, já que o spread tende a diminuir. Este cenário beneficiou as empresas que dependem mais do cenário interno”, aponta Quintella.

O economista-chefe da corretora Souza Barros concorda. “Desde o começo do ano temos aconselhado ações de empresas voltadas para o mercado interno. Acreditamos que, com os estímulos do Governo, como a redução dos juros, estas empresas podem se beneficiar do crédito mais barato”, pontua.

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Entre as três que mais valorizaram, aparecem duas empresas de educação – Kroton e Estácio. Para Vieira, elas se beneficiam de programas de crédito estudantil, como o Fies, e do crescimento da educação a distância. “O ensino à distância está crescendo e possibilita um aumento no quadro de alunos, com um custo baixo para as empresas”, afirma o economista.

Para Quintella, o mercado de trabalho aquecido beneficia o desempenho dessas companhias. “Com as pessoas buscando níveis melhores de educação, o horizonte é bastante promissor”, acredita.

Small Caps
O diretor da Valore ressalta que a lista das ações que mais valorizaram é composta basicamente por small e mid caps. “Grande parte das empresas que são voltadas ao mercado interno são também small caps. Há um potencial de entrega de resultados melhor em empresas que dependem deste mercado”, diz.

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No entanto, ele recomenda que, antes de investir em uma small cap, o investidor fique ciente das características destas ações. “Elas não possuem uma liquidez tão grande quanto outras e podem apresentar mais instabilidade do que Blue Chips. Portanto nossa sugestão é que o investidor tenha um perfil de longo prazo quando se investe nestas empresas”, ressalta. “Um investidor operando Vale com um milhão não abala o mercado. Já este montante em alguma small cap pode causar grande variação para cima ou para baixo e o pequeno investidor acaba surfando esta onda”, continua.

No longo prazo, ele acredita que os fundamentos prevalecem e o investidor pode ter bom ganho se comprar papéis de uma small cap a um bom preço e souber esperar. “Caso o investidor não queira se atentar a estas questões, vale mais a pena aderir a um fundo com gestão profissional”, conclui.


Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip