As melhores ações de varejistas para você ter na carteira em 2020

Vão se destacar os segmentos com produtos de preço-médio mais alto, principalmente bens duráveis. Empresas de vestuário e varejo eletrônico também animam

Anderson Figo

SÃO PAULO — A expectativa de melhora da economia no cenário pós-reforma da Previdência deve impulsionar especialmente os setores ligados a consumo. Entre as varejistas, alguns segmentos devem ter performances mais expressivas do que outros em 2020.

Segundo analistas ouvidos pelo InfoMoney, vão se destacar os segmentos com produtos de preço-médio mais alto, principalmente bens duráveis, em função do ciclo de crédito ao consumidor mais favorável.

O mesmo vale para setores cujo crescimento de vendas em termos reais teve um desempenho inferior ao do setor de varejo em geral, como vestuário. As expectativas também são grandes para o varejo eletrônico, que tem apresentado forte crescimento, acima da média do setor.

“Mesmo com o desemprego alto, este ano já foi bastante positivo para o setor de varejo no Brasil. Tivemos a aprovação da reforma da Previdência e algumas outras medidas do governo que liberaram recursos para a população [como o saque do FGTS], além da queda dos juros”, disse Luiz Guilherme Dias, CEO da Sabe Invest. “Em 2020, com a retomada da economia, o cenário é otimista.”

Segundo a última versão do relatório Focus do Banco Central, a expectativa do mercado para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2020 subiu de 2% há quatro semanas para os atuais 2,20%. Para este ano, a projeção é de alta de 0,99%.

“Ainda estamos no início da recuperação econômica do país, que tem sido impulsionada principalmente pelo consumo. Porém, acreditamos que esse cenário ainda não esteja refletido nos fundamentos das empresas. Por isso, esperamos que a combinação da melhora no ambiente econômico e o crescimento de lucro das companhias mantenha os múltiplos do setor em patamares elevados”, afirmou Pedro Fagundes, analista da XP.

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Com base nas estimativas da Bloomberg, o múltiplo P/L médio (preço da ação em relação ao lucro da empresa) de 12 meses do setor alcança 23,5x atualmente (excluindo Magazine Luiza) — 20% acima da média dos últimos cinco anos.

Consumo

Embora os indicadores de consumo mostrem melhora, a avaliação do mercado é que a retomada tem sido mais gradual do que a maioria dos analistas esperava.

O destaque fica com o crédito ao consumidor, que cresceu 15% na comparação anual nos últimos três meses, acelerando em comparação ao crescimento de 12% no primeiro trimestre de 2019 e de 8% em 2018.

Essa evolução ocorreu apesar da estabilidade no patamar de juros cobrado para esse público, que está em 52% ao ano desde meados de 2018. Com isso, o nível de endividamento das famílias apresentou leve aumento, passando de 23% em dezembro de 2017 para 25,7% em julho de 2019.

“Desde 2010, as vendas de bens duráveis e de vestuário caem, em média, 1% ao ano em termos reais. Para comparação, o setor de varejo como um todo cresceu 1% na média no mesmo período. Com isso, os volumes de ambos os segmentos não retornaram ao patamar observado antes de 2011”, disse Fagundes, da XP.

“Além disso, de acordo com a pesquisa POF (Pesquisa de Orçamento Familiar), a participação das categorias de vestuário e eletrodomésticos dentro dos gastos mensais familiares caíram para 4,3% e 1,7% em 2017, respectivamente (contra 5,5% e 2,6% em 2009). Por isso, esses são os segmentos nos quais vemos maior demanda reprimida”, completou o analista.

As ações preferidas

Para o banco Credit Suisse, as ações da Lojas Renner (LREN3) estão entre as melhores do mundo para investir, com potencial de valorização de cerca de 10% e rentabilidade acima da média dos últimos três anos. Em relatório, o analista Michel Lerner afirmou que as ações da maior varejista de moda do Brasil oferecem o que ele classifica como o “melhor dos mundos”, em termos de qualidade e valor.

A Lojas Renner fechou o terceiro trimestre de 2019 com lucro líquido de R$ 189,3 milhões — queda de 2,6% sobre o mesmo período do ano passado. Apesar disso, as vendas seguiram em ritmo favorável, com crescimento de 8,3% em mesmas lojas.

A estimativa do Credit Suisse foi realizada a partir de uma metodologia chamada HOLT, na qual foram analisadas mais de 20 mil empresas, de 65 países. O processo permite identificar os papéis que trazem retornos altos e consistentes, de companhias com qualidade e valor, mas que apresentam baixo custo para o investidor.

Na lista levantada pelo banco suíço, com 56 ativos, a Renner é a única ação brasileira — e também a única representante da América do Sul. A maioria dos papéis pertencem a empresas americanas, europeias ou asiáticas.

Quem também vê a Lojas Renner com bons olhos é Guilherme Dias, da Sabe. A varejista, segundo ele, é uma das principais beneficiárias da melhora do ambiente econômico, ao lado de Raia Drogasil (RADL3) e Magazine Luiza (MGLU3).

“Essas três companhias tiveram crescimento de receitas e lucro muito expressivos [nos nove primeiros meses de 2019, na comparação com o mesmo período do ano passado]. Elas estão sabendo crescer sem se endividar muito, mantendo o equilíbrio do endividamento”, destacou.

Segundo ele, a Renner “praticamente não tem dívidas”, com alavancagem de 2 vezes em 2018 na relação entre dívida líquida e Ebitda (geração operacional de caixa). O nível considerado “confortável” pelo mercado é de 3 vezes. “A Magalu está com algo em torno de 4 vezes. Não é algo preocupante porque ela está fazendo muito investimento.”

A XP também incluiu a Renner em sua lista de recomendações de compra. “A Renner oferece uma combinação única de maior alavancagem ao cenário de melhora no ambiente de consumo e exposição a uma das melhores empresas do setor, que provavelmente continuará ganhando participação de mercado, mesmo que a tão esperada recuperação do consumidor demore mais para se materializar”, disse Fagundes.

O analista recomenda ainda a Via Varejo (VVAR3), que está bem posicionada para se beneficiar da retomada econômica. Já a Vivara (VIVA3) foi apontada como uma empresa com maior potencial de crescimento de lucro, reflexo da expansão de lojas e/ou alavancagem operacional.

Fechando a lista de recomendações da XP no setor, o Pão de Açúcar (PCAR4) possui múltiplos descontados que oferecem risco-retorno assimétrico, segundo Fagundes. A recomendação do analista é de compra para o papel, diferentemente do que é indicado à B2W (BTOW3), cuja recomendação foi cortada de compra para neutra, devido ao “potencial de valorização limitado.”

Para Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Investimentos, a B2W e a Magazine Luiza devem ser beneficiadas pela Black Friday neste último trimestre de 2019 e devem manter o bom desempenho operacional no próximo ano.

Mas a indicação preferida de Guimarães no setor é a Via Varejo. “A Via Varejo fez um ajuste grande em seu estoque. O último resultado muito ruim da companhia deve ter sido neste último trimestre. A tendência daqui para frente é de retomada”, disse.

“A Magalu comprou a Netshoes e a B2W tem parceria com a Centauro. Já a Via Varejo é um caso de turn around. Ela estava com problemas, arrumou a casa e vai voltar a subir. Tem um potencial mais interessante”, completou o especialista da Levante.

O Itaú BBA indica compra de Vivara. Segundo o analista Thiago Macruz, a empresa está em um momento único: “está totalmente capitalizada e pronta para embarcar em um plano robusto de expansão plurianual que mais que dobrará o número atual de lojas da empresa até 2023.”

De acordo com Macruz, a Vivara desfruta de uma posição especial no setor de varejo de jóias no Brasil, sendo o maior player indiscutível do mercado, com 10% de participação. Ainda assim, ele aponta entre os riscos da empresa a exposição significativa dos custos aos preços do ouro dolarizados e sua falta de histórico em proporcionar uma expansão rápida.

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Anderson Figo

Editor de Minhas Finanças do InfoMoney, cobre temas como consumo, tecnologia, negócios e investimentos.