As 5 mudanças do comunicado do Copom que justificam a “surpresa” com a Selic

Cinco trechos do comunicado do Banco Central justificam a intensificação do corte de juros e sinalizam novas leituras do Copom para os próximos anos

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SÃO PAULO – O Banco Central surpreendeu ao reduzir nesta quarta-feira (11) a taxa básica de juros em 75 pontos-base para 13,00% ao ano, intensificando o ritmo de afrouxamento monetário para além do esperado pelo mercado diante de sinais de retomada econômica mais demorada após dois anos de profunda recessão. No comunicado em que justifica a decisão, o Copom (Comitê de Política Monetária) fez 5 alterações importantes sobre como analisa a situação atual da economia e o que espera da inflação nos próximos meses e anos. Veja estes trechos:

Novas projeções
O BC reduziu de 4,4% para 4,0% a estimativa para o IPCA ao fim de 2017 e de 3,6% para 3,4%, em 2018. A meta para esses dois anos é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual. 

Retomada do crescimento
Se em novembro o BC afirmou que a retomada da atividade “pode ser ainda mais demorada e gradual que a antecipada previamente”, desta vez optou pelo termo “deve”.

Cenário externo
Na última reunião do ano passado, ao se referir ao âmbito externo, o Copom avaliava que o cenário “apresentava-se especialmente incerto” e que “o aumento da volatilidade dos preços de ativos” indicava “o possível fim do interregno benigno para economias emergentes”. O BC considerava ainda que havia “elevada probabilidade de retomada do processo de normalização das condições monetárias nos EUA no curto prazo e incertezas quanto ao rumo de sua política econômica”. Na reunião desta semana, o BC se limitou a escrever que o cenário externo “ainda é bastante incerto”, mas que “os efeitos do fim do interregno benigno têm sido limitados”.

Ritmo de corte
Na decisão que levou a Selic para 13,75% ao ano, o comunicado considerava que a convergência inflacionária em 2017 e 2018 era compatível “com um processo gradual de flexibilização monetária”. Agora, que cortou a taxa básica de juros para 13,00% ao ano, o texto divulgado após a reunião afirma que o movimento da inflação é compatível “com a intensificação da flexibilização monetária em curso”, trecho interpretado por alguns economistas como indicando uma nova redução de 75 pontos-base na próxima reunião. 

Justificativa
Na última reunião de 2016, o Copom sinalizou que “o ritmo de desinflação nas suas projeções pode se intensificar caso a recuperação da atividade econômica seja mais demorada e gradual que a antecipada” e alertou ainda que “essa intensificação do processo de desinflação depende de ambiente externo adequado”. Desta vez, concretizando a intensificação do afrouxamento monetário, o BC reconheceu que considerou um corte mais brando, de 50 pontos-base, ssinalizando uma intensidade maior de queda para a próxima reunião.

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Para justificar a elevação de 75 pontos-base decidida por unanimidade do colegiado, o comunicado trouxe um trecho inédito: “Entretanto, diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização monetária e a intensificação do seu ritmo dependerão. A extensão do ciclo e possíveis revisões no ritmo de flexibilização continuarão dependendo”.

(com Reuters)