As 18 ações do Ibovespa que negociam atualmente abaixo do valor patrimonial

Analista, no entanto, chama atenção para o fato de algumas companhias do levantamento estarem apresentando prejuízos operacionais

Vitor Azevedo

B3 Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo (Germano Lüders/InfoMoney)

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Das 89 companhias que compõem atualmente o Ibovespa, 18 estão sendo negociadas abaixo do seu valor patrimonial, conforme levantamento feito pelo TradeMap, hub de investimentos que avaliou a relação entre os preços das ações do principal índice da Bolsa brasileira e o valor patrimonial das empresas (P/VPA) deste benchmark.

Ao levar em conta esse indicador, quando o resultado fica próximo a um, há a sugestão de que a ação está sendo negociada em equivalência ao seu valor patrimonial – este resultante da subtração de passivos, como dívidas, do patrimônio líquido da companhia, que inclui bens e direitos. A princípio, quando o resultado está acima de um, a companhia está sendo negociada de forma sobrevalorizada. Quando aquém, o papel está subvalorizado.

“Sem dúvida alguma, esses indicadores são referências importantes para auxiliar o investidor em uma análise. Porém, assim como qualquer outro múltiplo, não há como tomarmos uma decisão utilizando esses indicadores de forma isolada. É preciso avaliar caso a caso, buscar médias históricas e comparar com os valores de outras empresas do setor”, pontua Jader Lazarini, analista CNPI do TradeMap.

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Lazarini, no entanto, aponta que algumas das 18 companhias negociadas abaixo do múltiplo em questão vêm apresentando, nos últimos doze meses, resultados negativos, o que, obviamente, dilapida o patrimônio.

Confira a lista de companhias negociadas a um P/VPA abaixo de um

Entre as companhias que apresentaram prejuízos nos últimos 12 meses, o analista do TradeMap destaca os casos do IRB (IRBR3),da Embraer (EMBR3), da Via (VIIA3), da Cogna (COGN3) e da Natura (NTCO3).

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“Um ano é uma janela curta para entendermos o que de fato está acontecendo com uma empresa, mas o prejuízo nesse período traz fortes indícios de que algo anda mal, até mesmo porque falamos aqui de empresas que integram o Ibovespa e, naturalmente, são mais maduras. Nesses casos, o investidor precisa ficar ainda mais atento. São apostas mais arriscadas”, diz.

Do outro lado, entre as empresas com um P/VPA abaixo de um e que estão operando de forma positiva, Lazarini destaca a performance da Eletrobras (ELET3;ELET6) e do Banco do Brasil (BBAS3).

Sobre Eletrobras, o analista pontua que “a ação tem andado de lado desde a privatização, mas desde sua máxima, atingida em 17 de agosto, a queda registrada foi de 8%. Ainda assim, as ações subiram 38% em 2022. Existia essa expectativa pré-privatização e isso tem se materializado”.

“O P/L médio dos últimos 36 meses, porém, é em torno de 7 vezes, e hoje o papel tem sido negociado a mais de 18. Então mesmo negociando com P/VPA abaixo de 1, talvez não seja a melhor opção tendo em vista o curto prazo. Para o longo, sem dúvida: as perspectivas são positivas”.

O Banco do Brasil (BBAS3), para Lazarini, é outra companhia que merece atenção: negociada com desconto de 24% em seu P/VPA, e a um múltiplo de 4,85 vezes de P/L,  a ação já avançou 53% nos últimos doze meses. “Mesmo tendo subido bastante, registrando lucros superiores aos de bancos privados, sua ação continua descontada em relação a seus múltiplos do passado”, pontua.

De modo geral, o analista avalia que as empresas presentes no levantamento sofrem por determinados fatores, com impactos diretos em seus resultados. As companhias cíclicas, por exemplo, têm sido fortemente impactadas pelo preço das commodities; sobre as de varejo, têm pesado a inflação e a desaceleração do consumo. As de construção, por sua vez, têm sido afetadas pelo aumento da taxa de juros. O Banco do Brasil sofre pelo risco político e pelo temor de uma descontinuidade no governo.

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