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SÃO PAULO – Após forte queda na véspera puxado pelas ações da Vale, o Ibovespa hoje fica de olho no noticiário corporativo em dia de agenda de indicadores mais fraca. Os destaques ficam para a temporada de resultados e para a reunião do Conselho da Vale, que pode decidir pela saída de Murilo Ferreira da presidência da empresa. No exterior o dia é de quedas, enquanto por aqui a sessão deverá ser marcada pelos investidores ajustando suas posições antes do feriado prolongado de carnaval. Confira os principais destaques do dia:
1. Ações para monitorar
Vale (VALE3; VALE5): O Conselho de Administração da Vale decide na manhã desta sexta sobre o futuro do presidente Murilo Ferreira. Segundo o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a reunião ocorre às 9h (horário de Brasília), na sede da companhia no Rio de Janeiro, e a tendência é que ele deixe o comando da mineradora. Além disso, devem afetar os papéis da mineradora a terceira queda consecutiva do minério de ferro na China.
Marfrig (MRFG3): A companhia de alimentos teve prejuízo líquido de R$ 270,7 milhões no quarto trimestre de 2016, maior do que o resultado negativo de R$ 194,9 milhões apurado nos mesmos meses do ano anterior. No acumulado de 2016, a companhia teve prejuízo líquido de R$ 726 milhões, redução de quase 50% ante o prejuízo de R$ 1,424 bilhão registrado em 2015.
BRF (BRFS3): A empresa teve prejuízo no quarto trimestre, refletindo cenário de custos ainda elevados, combinado com prática de preços menores para defender participação de mercado em regiões-chave. A companhia de alimentos anunciou prejuízo líquido de R$ 460 milhões no período, ante lucro líquido de R$ 1,415 bilhão no mesmo período de 2015.
Pão de Açúcar (PCAR4): O Grupo Pão de Açúcar fechou o quarto trimestre de 2016 com prejuízo líquido consolidado de R$ 29 milhões, uma melhora ante o prejuízo líquido de R$ 384 milhões do mesmo período do ano anterior. O Assaí, de vendas em atacado, foi o único segmento do grupo que registrou resultado positivo nesta base de comparação, com alta de 56,9% no lucro líquido, para R$ 146 milhões.
Multiplus (MPLU3): A Multiplus reportou um lucro líquido de R$ 116,2 milhões no quarto trimestre do ano passado, uma queda de 7,6% em relação ao mesmo período de 2015. Enquanto isso, a receita líquida da companhia recuou 5,7% no mesmo período, passando de R$ 580,6 milhões para R$ 547,4 milhões. Já a receita com venda de pontos ficou em R$ 523,6 milhões nos três últimos meses de 2016.
Hering (HGTX3): A Hering fechou o quarto trimestre de 2016 com queda de 38,7% em seu lucro líquido, que ficou em R$ 50,9 milhões. O resultado, segundo a companhia, foi afetado pelo desempenho de vendas em redes multimarcas e lojas de franquias.
Marisa (AMAR3): A varejista de roupas registrou prejuízo líquido de R$ 6 milhões entre outubro e dezembro do ano passado, revertendo o lucro líquido de R$ 16,7 milhões do mesmo período do ano anterior. Segundo a companhia, o desempenho foi afetado pela queda nas vendas no período.
Engie (EGIE3): A geradora de energia Engie Brasil, controlada pela francesa Engie, reportou lucro líquido de R$ 475,6 milhões no quatro trimestre de 2016, o que representa queda de 20,7% ante o mesmo período do ano anterior, disse a empresa nesta quinta-feira.
Usiminas (USIM5): O HSBC rebaixou a siderúrgica de compra para manutenção.
Weg (WEGE3): O JPMorgan elevou a empresa de neutra para overweight.
Eletropaulo (ELPL4): A Eletropaulo anunciou que submeteu aos seus acionistas a proposta de migração da companhia para o Novo Mercado da BM&FBovespa. Segundo a companhia, a iniciativa tem três objetivos: aumentar o nível de governança corporativa e transparência a partir da extensão do direito de voto a todos os acionistas, aumentar a capacidade de investimento e potencializar a liquidez das ações negociadas publicamente pela companhia, por meio da consolidação da negociação dos valores mobiliários exclusivamente em ações ordinárias. A expectativa da administração da companhia é que a migração para o Novo Mercado seja concluída no quarto trimestre de 2017.
2. Bolsas mundiais
Em dia sem indicadores relevantes no exterior, as bolsas ficam entre a estabilidade e queda de olho no noticiário corporativo. Os mercados da China ficaram praticamente estáveis, revertendo as perdas vistas mais cedo no início da sessão, conforme as expectativas de reforma sustentaram o mercado e com os principais índices subindo pela terceira semana consecutiva diante da melhora do apetite por risco. O minério de ferro, por sua vez, tem nova queda com mercado questionando recente rali diante das previsões de aumento da oferta, estoques recordes na China e manifestações de cautela de alguns grandes produtores
Na Europa o dia é negativo guiado pela temporada de resultados, com o maior grupo químico do mundo, a BASF, registrando recuo em suas vendas, o que acabou reduzindo seu lucro e levando as ações para quedas de mais de 3%. Empresas como a francesa Vivendi e o banco britânico RBS também recuam e puxam os índices para o campo negativo.
Às 07h59, este era o desempenho dos principais índices:
* FTSE 100 (Reino Unido) -0,53%
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* CAC-40 (França) -0,93%
* DAX (Alemanha) -0,80%
* Xangai (China) +0,06% (fechado)
* Hang Seng (Hong Kong) -0,62% (fechado)
* Nikkei (Japão) -0,45% (fechado)
* Petróleo brent -0,35%, a US$ 56,62, o barril
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* Minério de ferro negociado com 62% de pureza no porto chinês de Qingdao -0,92%, a US$ 90,50
* Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dailian -2,37%, a 699 iuanes
3. Agenda
O destaque do dia é o resultado primário do setor público consolidado de janeiro, às 10h30. Em dezembro, as contas públicas ficaram negativas em R$ 70,7 bilhões, mas podem surpreender. Na véspera, o governo central, formado por governo federal, Banco Central e Previdência Social que integram as contas o setor público consolidado, reportou superávit de R$ 18,9 bilhões em janeiro, bem acima da projeção de analistas, de R$ 7,9 bilhões, segundo a Reuters. Mais cedo, às 9h, sai a taxa de desemprego de janeiro. Estimativa da LCA Consultores é de que a desocupação tenha avançado de 12% para 12,6%. No exterior, os únicos dados de relevo são as vendas de novas moradias e a confiança do consumidor de Michigan, ambos às 12h. Veja a agenda completa de indicadores clicando aqui 4. Noticiário político De acordo com a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, Padilha queria que Yunes recebesse em seu escritório alguns “documentos”, que depois seriam retirados de lá por um emissário e que teriam como destino campanhas ligadas ao grupo do ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima. A notícia pode trazer nova tensão no governo Temer e caso ganhe força e seja comprovada a informação, poderá colocar pressão em mais um ministro do atual governo. Enquanto isso, a edição da revista Veja desta semana traz uma notícia de que o empresário Fernando Cavendish, que comandava a empreiteira Delta, estaria negociando um acordo de delação premiada. Segundo a publicação, as revelações podem afetar governadores, prefeitos e parlamentares, sendo que uma das informações a serem apresentadas pelo empresário seria sobe um possível repasse de dinheiro ao deputado Rodrigo Maia, do DEM do Rio de Janeiro, atual presidente da Câmara dos Deputados. 5. Entrevista: Selic abaixo de 9% é possível!
Em entrevista ao InfoMoney, o economista da XP Investimentos, Guilherme Attuy, explica por que um cenário de Selic abaixo de 9% é possível ainda em 2017 e coloca um eventual afastamento de Michel Temer como principal fator de risco para a trajetória de conversão da inflação para o centro da meta. Clique aqui para ver a entrevista.
Em destaque na política, o advogado e amigo de Michel Temer, José Yunes, afirmou a interlocutores que foi um “mula” para o presidente e que recebeu dinheiro a pedido de Eliseu Padilha, hoje ministro da Casa Civil. Yunes deixou o cargo de assessor especial de Temer após o vazamento da delação do ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo, que afirma que ele teria recebido, em 2014, R$ 1 milhão oriundo da empreiteira em dinheiro vivo em seu escritório, em São Paulo.