As 10 empresas responsáveis pela forte queda dos lucros em 2012

Vale, Petrobras, Eletrobras, PDG, Gol, OGX, MMX, CSN, Eletropaulo e Usiminas tiveram grande impacto no coletivo dos resultados do Ibovespa

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SÃO PAULO – Em termos de lucro, 2012 foi bastante ruim para o conjunto das empresas do Ibovespa, que viram, coletivamente, seus ganhos recuarem 35,75%, de R$ 167,59 bilhões em 2011 para R$ 107,67 bilhões no ano passado. Das 62 empresas do Ibovespa que divulgam seus resultados consolidados anuais no início do ano, 16 apresentaram prejuízo – contra 11 em 2011 -, de acordo com compilação do portal InfoMoney. 

Esses números excluem o balanço da Cosan (CSAN3), já que sua publicação anual consolidada só vem no final da safra, enquanto as outras companhias estiverem divulgando os resultados do 1º trimestre. O maior lucro ficou com a Petrobras (PETR3; PETR4), que teve ganhos líquidos de R$ 21,18 bilhões, desbancando a Vale (VALE3; VALE5), que caiu da 1ª para a 6ª posição, atrás de Itaú Unibanco (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Ambev (AMBV4).

A cervejaria, empresa com maior valor de mercado no Brasil, entra para o seleto grupo de empresas com ganhos superiores a R$ 10 bilhões – tendo visto seu lucro crescer 22,53% entre um ano e outro. Os balanços que tiveram as principais melhoras foram da Klabin (KLBN4), BR Malls (BRML3) e Cemig (CMIG4), com crescimento de 311%, 270% e 76,89%, para R$ 752 milhões, R$ 1,72 bilhão e R$ 4,27 bilhão respectivamente. 

A queda nos lucros foi puxada sobretudo por algumas empresas que viram seus balanços piorarem entre um ano e outro de maneira significativa. Confira: 

1) Vale
A queda de 75% dos lucros da Vale a fez despencar da posição de maior lucro para apenas a sexta posição, com ganhos de R$ 9,3 bilhões. A empresa viu seus números piorarem basicamente por duas razões: as fortes perdas contábeis realizadas no último trimestre, que a fizeram ter “prejuízo” de mais de R$ 5 bilhões após limpar o balanço, e os preços mais fracos do minério de ferro, sobretudo no terceiro trimestre do ano passado. O balanço da companhia causou uma queda similar nos resultados da Bradespar (BRAP4), holding que detém boa parte do capital da mineradora. 

2) Petrobras
Outra gigante a registrar uma forte queda nos lucros foi a Petrobras. Sem perdas contábeis, a companhia viu seu lucro recuar 36% por conta de uma combinação perigosa: a política de preços faz com que a estatal basicamente subsidie o preço dos combustíveis no Brasil, em um momento em que a demanda cresce e a produção da empresa patina. A menor geração de caixa livre para ser reinvestido faz com que parte do mercado duvide da possível execução de seu plano de negócios.

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3) Eletrobras
Outra estatal, a Eletrobras (ELET3; ELET6) viu um lucro de R$ R$ 3,7 bilhões em 2011 se tornar um prejuízo de R$ 6,8 bilhões em 2012. O que causou isso? Um ajuste contábil por conta dos efeitos da MP 579 (Medida Provisória) lançada por Dilma Rousseff para diminuir o preço da energia elétrica. Embora as perdas agora sejam apenas contábeis, a direção da empresa já destacou que precisará ser mais eficiente para não cair em prejuízo novamente. O resultado do ano, porém, agradou: as ações ELET6 dispararam 16,19% na sessão posterior ao balanço.

4) PDG
Outra a realizar ajustes contábeis, a PDG Realty (PDGR3) mostrou um rombo muito superior ao que o mercado esperava. Por trás do prejuízo de R$ 2,1 bilhões em 2012 está o estouro dos orçamentos de diversas obras e a necessidade de se realizar ajustes para normalizar as operações e voltar a lucratividade até 2015.

5) Gol
Talvez o maior prejuízo real da bolsa brasileira, a Gol (GOLL4) também teve uma “ajudinha” de perdas contábeis, sobretudo com o término das operações da Webjet. Mesmo assim, a companhia viu números muito fracos por conta do aumento do preço do combustível, a desvalorização do real frente ao dólar e o aumento de mais de 30% das tarifas aeroportuárias. Para aliviar a situação, a companhia deverá realizar o IPO (Initial Public Offering) da sua controlada Smiles, levantando caixa, além de realizar mudanças internas para recuperar a rentabilidade, como não mais dar alimentos e bebidas de graças durante os vôos. 

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6) OGX Petróleo
Mais um ano de prejuízo para a OGX Petróleo (OGXP3), que produziu seu primeiro óleo em janeiro de 2012, efetivamente deixando de ser uma empresa pré-operacional. Contudo, a petrolífera de Eike Batista ainda não passou pelo esperado aumento de produção – embora as despesas já tenham se elevado de acordo. Além de estar extraindo menos petróleo do que o prometido pelo controlador. Com a instalação de novos poços e o aumento da produção nos próximos meses e anos, Eike certamente gostará de pensar no prejuízo de R$ 1 bilhão tido em 2012 como o pior da história da companhia. 

7) MMX Mineração
Outra empresa de Eike a figurar na lista das 10 mais problemáticas, a MMX Mineração (MMXM3) também contou com perdas contábeis e com a piora nos preços praticados durante o terceiro trimestre. Com isso, a empresa viu as perdas de R$ 2 milhões crescerem para R$ 795 milhões – um crescimento de 36.892%.

8) CSN
A CSN (CSNA3) teve um prejuízo contábil de R$ 1 bilhão no segundo trimestre, mas se viu prejudicada pela crise em dois dos seus principais mercados: atualmente o siderúrgico vai mal por conta do excesso de capacidade mundial – que derruba os preços das siderúrgicas para regiões não atrativas -, enquanto suas exportações de minério de ferro esbarraram nos preços mais baixos do terceiro trimestre. O balanço geral de 2012, porém, não foi considerado negativo pelo mercado.

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9) Eletropaulo
O lucro da Eletropaulo (ELPL4) caiu em 93%, após um reajuste tarifário que obrigou a companhia a reduzir os preços praticados em 2012. A empresa também passa por um processo de reestruturação para lhe dar mais eficiência – que gera gastos não recorrentes, além de problemas com dívidas com o Estado de São Paulo e com a Eletrobras.

10) Usiminas
A Usiminas (USIM3; USIM5) teve seu primeiro prejuízo trimestral em mais de uma década, amparada pela piora nos preços praticados no segmento siderúrgico. De acordo com a companhia, questões tributárias e não-recorrentes também pesaram no prejuízo registrado, sobretudo no quarto trimestre. 

Confira a variação dos balanços de 2011 e 2012:

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Empresa Resultado 2011* Resultado 2012* Variação
Petrobras 33.133 21.182 -36,07%
Itaú Unibanco 14.621 13.594 -7,02%
Banco do Brasil 11.751 11.528 -1,90%
Bradesco 11.198 11.523 2,90%
Ambev 8.617 10.558 22,53%
Vale 37.814 9.374 -75,21%
Itaúsa 5.367 5.040 -6,09%
Telefônica 5.072 4.452 -12,22%
Cemig 2.415 4.272 76,89%
Santander Brasil 3.557 2.692 -24,32%
Cielo 1.816 2.320 27,75%
Sabesp 1.223 1.911 56,26%
BR Malls 470,91 1.742 269,92%
Souza Cruz 1.603 1.641 2,37%
BM&FBovespa 1.545 1.612 4,34%
Gerdau 2.094 1.496 -28,69%
TIM 1.277 1.448 13,42%
JBS -75 1.257 INVERTEU
CPFL 1.624 1.257 -22,60%
CCR 899 1.173 30,48%
Pão de Açúcar 720 1.156 60,56%
Ultrapar 854 1.018 19,08%
Natura 831 861 3,61%
Transmissão Paulista 915 843 -7,84%
Oi 1.006 837 -16,80%
Brasil Foods 1.367 813 -40,53%
Klabin 183 752 310,93%
Copel 1.177 726,5 -38,27%
Fibria 868 698 -19,59%
Cyrela 498 571 14,66%
MRV Engenharia 760 528 -30,53%
Bradespar 2.023 476 -76,47%
Duratex 349 437 25,10%
Light 342 424 23,98%
Cetip 370 421 13,78%
Lojas Americanas 340 410 20,51%
Lojas Renner 336 355 5,49%
Energias do Brasil 490 341 -30,38%
Cia. Hering 297 311 4,64%
Embraer 156 253 62,32%
Localiza 291 241 -17,39%
ALL 245 237 -3,10%
Hypermarcas -54 204 INVERTEU
Cesp 108 148 36,29%
Eletropaulo 1.572 108 -93,14%
Dasa 145 84 -41,71%
LLX Logística -52 -36 -30,81%
Rossi 162 -121 INVERTEU
Gafisa -944 -124 -86,82%
Vanguarda -187 -128 -31,57%
B2W -89 -170 91,37%
Suzano 30 -182 INVERTEU
Marfrig -746 -224 -69,99%
Brookfield 161 -388 INVERTEU
CSN 3.657 -480 INVERTEU
Usiminas 404 -531 INVERTEU
Braskem -488 -738 51,23%
MMX Mineração -2 -795 36.892%
OGX Petróleo -286 -1.173 310,14%
Gol -751 -1.512 101,20%
PDG 784 -2.172 INVERTEU
Eletrobras 3.733 -6.879 INVERTEU
TOTAL 167.596 107.679 -35,75%
*Em R$ milhões