As 10 ações do Ibovespa que subiram mais de 3%

Altas e baixas do índice indicavam que o mercado não esperava corte de estímulos nos EUA; ações defensivas como Energias do Brasil, Telefônica e Ultrapar lideram perdas nesta quarta

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SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou esta quarta-feira (18) com alta de 0,94%, aos 50.563 pontos, mesmo com o Federal Reserve dando início à retirada dos estímulos na economia americana. As ações tidas como mais “arriscadas” figuraram entre os maiores ganhos, enquanto a ponta positiva foi ocupada por papéis considerados mais defensivos – sinalizando que os investidores mostraram maior disposição por tomar posições de risco nesta sessão.

Na ponta positiva, destaque para os papéis da Eletropaulo (ELPL4), que subiram 16,94%, a R$ 11,25, com um forte volume de R$ 120,18 milhões (ante média de R$ 16,86 milhões). Analistas ouvidos pelo InfoMoney destacaram que a alta é puxado pelo movimento conhecido como “short squeeze”, que ocorre quando o preço de uma ação sobe de tal forma que os investidores que se posicionaram vendidos no papel buscam fechar suas posições (ou seja, comprar essas ações) e zerar a posição.

Esse mesmo tipo de movimento também pode ser verificado para as ações de duas imobiliárias que ficaram entre as maiores altas do dia. Gafisa (GFSA3) e Brookfield (BISA3) viram seus papéis subirem 6,29% e 5,94%, respectivamente, cotados a R$ 3,72 e R$ 1,07. Seguindo a companhia elétrica, as duas também registraram fortes volumes, com a Gafisa ficando 2,5 vezes acima de sua média ao atingir R$ 77,50 milhões, enquanto os papéis BISA3 tiveram volume de R$ 14,80 milhões.

Eletropaulo e decisões da Aneel
Com um noticiário agitado desde ontem, as ações da Eletropaulo também repercutem decisões tomadas pela agência reguladora de energia. Na última terça-feira, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) reconheceu novos valores para a base de remuneração líquida da empresa, que passou de R$ 4,4 bilhões para R$ 4,67 bilhões, enquanto a base bruta passou de R$ 10,86 bilhões para R$ 11,14 bilhões. Segundo analistas, a notícia é positiva para a companhia e pode ter impacto positivo no preço dos papéis.

Por outro lado, a mesma Aneel, determinou também que a companhia devolva aos consumidores R$ 626 milhões que, segundo a agência, a empresa recebeu irregularmente via conta de luz. De acordo com a Aneel, entre 2002 e 2011 a Eletropaulo incluiu, na sua base de remuneração via tarifa de energia, investimentos na implantação de 246 quilômetros de cabos de alumínio que não existiam. Ou seja, durante 10 anos, os clientes da distribuidora pagaram por investimentos que ela não fez. Porém, a companhia afirmou que irá recorrer da decisão.

Segundo analistas do JPMorgan, os R$ 626 milhões são muito maiores do que a estimativa de R$ 490 milhões deles. Contudo, eles trabalhavam com a hipótese de que esse saldo seria devolvido em três anos corrigido pelo IGP-M mais 7,5%. No entanto, o regulador determinou a devolução em quatro anos, atualizado pelo IGP-M apenas, a partir de julho do próximo ano. “No todo, a obrigação mais elevada é compensada pelo prazo mais longo de devolução do dinheiro”, disseram.

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Gafisa realiza evento com investidores
No caso da Gafisa, ainda ajudou o fato da companhia ter realizado hoje encontro com analistas e investidores. Durante o evento, a incorporadora reiterou a estimativa de que o VGV (Valor Geral de Vendas) de seus lançamentos em 2014 alcancem o montante de R$ 2,5 bilhões. O volume considera a perspectiva de lançamentos na faixa de R$ 1,5 bilhão a R$ 1,7 bilhão para a divisão Gafisa e de R$ 600 milhões a R$ 800 milhões na divisão Tenda. 

LLX e MMX entre as maiores altas
Outras duas companhias tidas como mais arriscadas, devido à sua forte volatilidade, e que ficaram entre as maiores altas do Ibovespa foram a Prumo Logística (LLXL3) e a MMX Mineração (MMXM3), que subiram 5,83% e 4,48%, respectivamente, fechando cotadas a R$ 1,09 e R$ 0,70.

Devido ao seu valor baixo valor de face, é normal os ativos dessas empresas registrarem oscilações mais fortes, já que uma mudança de R$ 0,01 representa porcentagens altas de variação. Apesar da forte alta, os ativos da Prumo registram queda acumulada de 45,88% em 2013, enquanto a MMX já caiu 88,27% no período.

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Siderúrgicas são ajudadas pelo dólar
Outros dois destaques positivos desta quarta-feira foram a CSN (CSNA3, R$ 13,64, +4,92%) e a Usiminas (USIM3, R$ 11,75, +2,17%; USIM5, R$ 13,91, +4,98%). As duas empresas seguem com um mês bastante positivo, já que as ações da CSN acumulam ganhos de 14,53%, enquanto os papéis preferenciais da Usiminas tem alta de 11,73% em dezembro. Já os ativos ordinários da siderúrgica têm ganhos acumulados de 3,07%.

Nesta sessão, colabora para o desempenho dos ativos a alta do dólar, que fechou a R$ 2,3426, com alta de 0,87%. Em um cenário de alta da moeda norte-americana, o preço para se importar fica mais alto, favorecendo a concorrência das empresas nacionais diante dos produtos internacionais.

Ações “seguras” lideram perdas
Enquanto as ações consideradas mais arriscadas pelos investidores lideraram os ganhos, os papéis mais defensivos acabaram ficando entre as maiores perdas da sessão. Nesse sentido, chamaram atenção as ações da Energias do Brasil (ENBR3, R$ 11,08, -2,81%) e da Ultrapar (UGPA3, R$ 55,55, -1,86%), que ficaram com as duas maiores quedas do dia. Também entre as maiores quedas, estava a Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 42,14, -1,03%).

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Outros destaques:

Braskem (BRKM5, R$ 19,95, +1,89%) – Na véspera, a empresa anunciou a compra da concorrente Solvay Indupa, segunda maior fabricante de PVC do Brasil. O valor foi de US$ 290 milhões. O Grupo Solvay, controlador da companhia, detém 70,59% do capital votante e total da Solvay Indupa, que por sua vez controlava a Solvay Indupa do Brasil e a Solalban Energia. Com a operação, a Braskem se tornará acionista indireta das duas companhias. Segundo a XP Investimentos, a estratégia é interessante, pois fecha a porta da Mexichem aqui, numa possível entrada. Além disso, os analistas ressaltaram que foi o maior deságio (desconto) já visto. O valor por ação pago foi o equivalente a US$ 0,085 por ação, enquanto as ações estavam sendo negociadas a US$ 0,90 por ação na bolsa Argentina. 

BM&FBovespa (BVMF3, R$ 10,57, -0,56%) – O movimento ocorre após a Bovespa ter anunciado orçamento de investimentos maior para 2014 do que o comunicado em 11 de dezembro. Agora, a bolsa espera investir entre R$ 230 milhões a R$ 260 milhões no ano que vem, contra faixa de R$ 170 milhões a R$ 200 milhões anteriormente, alta de 30%. Segundo a equipe de análise da XP, a elevação inesperada gera um desconforto, lembrando que a empresa vem apresentando desempenho abaixo das expectativas, em função de fatores como volume de negociação baixo e evolução expressiva das despesas com pessoal/processamento de dados.

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HRT (HRTP3, R$ 0,90, +4,65%) – A arrancada das ações da petroleira ocorrem após forte movimentação de grandes investidores. Na véspera, a empresa comunicou que o fundo Discovery Capital elevou pela terceira vez em pouco mais de um mês sua participação no capital social da empresa. Com isso, ele passou a deter 52.671.397 ações da companhia, o que representa 17,7% de seu capital social. Além disso, os fundos geridos pelo Itaú Unibanco aumentaram participação na empresa para aproximadamente 5% do capital social, o que representa 14.882.505 ações ordinárias de emissão da HRT.

OGX (OGXP3, R$ 0,20, -4,76%) – As ações da petrolífera caíram pelo sétimo pregão consecutivo e voltaram a ser operadas a R$ 0,20, depois de ter alcançado R$ 0,29 em 10 de dezembro, no maior patamar desde 25 de outubro. Na véspera, a empresa realizou reunião Apimec (Associação Nacional dos Analistas e Profissionais de Investimentos de Mercados de Capitais). O principal fator que mexe com as perspectivas da empresa é o desenvolvimento do Campo de Tubarão Martelo, a última esperança para a companhia. Com dois poços a entrar em produção em abril ou maio, a companhia estima que o campo deverá ter um pico de produção diária de 30 mil barris de petróleo no “longo prazo”.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.