Artes Circenses: desenvolvimento corporal e combate ao estresse

resumo

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SÃO PAULO – Cansados das tradicionais academias de ginásticas, brasileiros de todas as idades têm encontrado nas artes circenses uma atividade que reúne desenvolvimento corporal e combate ao estresse. “Nunca gostei de fazer musculação e nem do ambiente das academias”, afirma o estudante de medicina Rafael Proença. “Na escola de circo o resultado final é até melhor. O esforço é grande e exige muito do nosso corpo. Dá pra suar bastante e sair da aula sentindo que o trabalho foi intenso”.

Por ser uma atividade lúdica, o circo também funciona como uma espécie de terapia. Os problemas do dia-a-dia ficam do lado de fora e, durante as aulas, os alunos se concentram em descobrir coisas que nunca imaginaram que pudessem fazer. “Nem vejo o tempo passar. Passaria tardes inteiras na escola de circo. Sempre saio relaxado das aulas e chego em casa muito mais tranqüilo à noite”, completa o estudante.

Da Argentina para o Brasil

Atualmente os malabares são a modalidade mais conhecida. Não é à toa que tomaram conta das ruas e semáforos das principais cidades do País, principalmente por conta da chegada de centenas de argentinos e das “raves” organizadas em municípios do interior. Na Argentina, a cultura do circo é bastante difundida e tem influenciado jovens brasileiros que buscam uma atividade física associada a um intenso trabalho corporal que envolve equilíbrio, concentração e conhecimento do corpo.

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Além dos malabares, as modalidades mais procuradas nas escolas de circo do País são a acrobacia, o trapézio e o tecido. Apesar de não terem grandes restrições, as atividades circenses demandam um enorme preparo físico, uma vez que estão relacionadas à força e à elasticidade. É por isso que, numa aula de duas horas, por exemplo, metade do tempo é reservada para o aquecimento, alongamento e fortalecimento muscular.

Malabares e Tecido

Em geral, o primeiro contato das pessoas com as atividades circenses ocorre com os malabares. Com apenas duas bolinhas de tênis já é possível treinar em casa. E engana-se quem pensa que esta modalidade não queima calorias. Ao praticar o malabarismo você movimenta o corpo inteiro e não apenas os braços, os ombros e as costas. Para se atingir um bom resultado é preciso horas de treino. E a dificuldade nunca termina. É sempre possível avançar um pouco mais e desenvolver números complexos, envolvendo vários instrumentos, além das bolinhas.

O tecido, até pouco tempo desconhecido entre os brasileiros, exige um grande esforço físico para permanecer preso a um pedaço de pano, que é enrolado ao corpo. A técnica é recente e surgiu há aproximadamente duas décadas na França. Trata-se de uma ótima atividade para desenvolver músculos, principalmente abdominais e ombros. Com alguns meses de treino já é possível fazer um “showzinho” e impressionar os amigos. Mas para apresentações profissionais são exigidos, pelo menos, dois anos de treinamento intenso.

Acrobacia

A acrobacia é sem dúvida uma das modalidades mais antigas do circo. Lembra bastante a ginástica olímpica e está relacionada aos saltos, ao equilíbrio e às atividades na cama elástica. Também trabalha bastante o abdome e ajuda a desenvolver habilidades corporais incríveis. A estudante de arquitetura Vanessa Oliveira pratica acrobacia há um ano e não que mais parar. “Comecei a fazer escola de circo e descobri a acrobacia. Pratico duas vezes por semana e nem vejo o tempo passar. Saio com o corpo todo trabalhado. Minha elasticidade melhorou muito também”, explica.

Trapézio

Talvez a mais difícil entre as modalidades circenses seja o trapézio. Além de enorme força e equilíbrio, o praticante ainda precisa ter coragem. Deve ser por isso que o trapézio é a apresentação que mais emociona a platéia durante um espetáculo de circo. Para o estudante de medicina Rafael Proença, que freqüenta as aulas de circo há seis meses, o trapézio é seu objetivo final. “Sempre ficava impressionado com os vôos dos trapezistas, ainda mais depois que comecei a acompanhar os espetáculos do Cirque du Soleil. Vai demorar muito para eu conseguir fazer qualquer coisa lá em cima”, reclama.

De acordo com especialistas, um ano é o tempo mínimo de treino para uma pessoa começar a se desenvolver no trapézio. Isso praticando várias horas por semana. O trapézio é formado por uma barra pendurada por duas cordas ou dois cabos de aço, e existe grande variedade desta técnica. A mais famosa é o “petit-volant”, também conhecido como trapézio de vôo.