Expert 2017

Armínio Fraga: “Os estrangeiros estão mais animados do que nós. Parece que estamos condenados a dar certo”

O ex-presidente do BC participou na última quinta-feira de debate com Zeina Latif (economista-chefe da XP Investimentos) e Marcos Lisboa (presidente do Insper) na Expert XP 2017

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SÃO PAULO – Com a crise política se sobressaindo à crise econômica, a saída é torcer para “alguma coisa dar certo”. “O que temos hoje? Estamos vendo um Brasil velho, com os representantes que elegemos querendo se safar e uma agenda de reformas complicada”, criticou o economista e ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, na última quinta-feira (22) durante a Expert 2017, evento promovido pela XP Investimentos. 

Em meio ao alto grau de incertezas, o ex-chefe do BC brincou que a postura dos estrangeiros sobre o Brasil tem sido mais otimista que a nossa. “Os estrangeiros estão mais animados do que nós. Parece que estão vendo que estamos condenados a dar certo. Espero que eles tenham razão”, disse em debate com Marcos Lisboa (presidente do Insper) e Zeina Latif (economista-chefe da XP) realizado ontem na Expert (veja aqui a íntegra). 

Segundo ele, o Brasil – que ele comparou a um paciente na UTI, que precisa de um transplante – pode ter que elevar os impostos para conter o rombo nas contas públicas. “Os impostos vão subir de qualquer jeito”. A regra do “teto dos gastos é insustentável sem muitas mudanças e reformas na economia”.  Para o ex-chefe do BC, sem sacrifícios organizados, os sacrifícios desorganizados (que ele classifica como desemprego e inflação) serão muito maiores. 

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Para Armínio Fraga, o governo atual apresentou propostas positivas, porém que só trarão benefícios em “dez ou quinze anos, enquanto não podemos ver com clareza o que vai acontecer nos próximos 18 meses”. “A agenda de hoje é a agenda da década de 1990, mas os problemas foram crescendo e ficaram mais óbvios”, avalia. Nesse cenário, ele diz que “a chegada de um novo presidente será importante” para promover todas as reformas necessárias.

Segundo ele, além da incerteza econômica, há atualmente um ziguezague na qualidade do funcionamento das instituições extremamente preocupante. O ex-presidente do BC ressaltou que a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que não cassou a chapa que elegeu a presidente Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014, agravou ainda mais esse cenário. “Não é questão dele cair, mas as decisões do Judiciário não podem ser pautadas por causa de uma visão errada do que está acontecendo no País e na economia”, disse (veja aqui a íntegra do debate).