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SÃO PAULO – Por sua resposta à crise, o Brasil é apontado como uma das economias com maior possibilidade de recuperação, ou melhor, com apostas de que a retomada seja mais rápida. Sendo assim, seu mercado atrai os olhares do restante do mundo, é a aposta – e consequente destino – de muitos investidores estrangeiros.
Maior potencial de crescimento da economia é tido como a garantia de maior potencial das ações. Em resposta, China, Índia e Brasil despontam como o próximo grande destino para se investir. No entanto, há quem pense o contrário.
A armadinha
Um estudo de Elroy Dimson, professor da London Business Scholl, aponta que “as economias de maior crescimento produzem o menor retorno – e com uma imensa margem”.
Como argumento, Dimson cita o que considera uma armadilha de valuation. Os investidores costumam precificar demais os ativos com maiores perspectivas de crescimento de suas receitas.
De certa forma, o investidor acaba pagando caro demais por uma fatia deste potencial de crescimento. Do outro lado, as ações de nações desenvolvidas são vistas por muitos como caras demais, mas também relacionam casos de ótimo potencial de suas receitas.
Oportunidade única
Sobre o assunto, o portal Motley Fool cita gigantes do setor de tecnologia dos Estados Unidos, exatamente um exemplo de país com pouco potencial de crescimento, uma economia madura. As ações de Microsoft, Dell, Cisco Systems e HP produzem retorno negativo desde 1999, enquanto suas receitas registram avanço de mais de 10% anualmente.
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Este exemplo reforça a tese de Dimson. Mas é apenas um exemplo. Em relação ao potencial dos emergentes, sua teoria aponta que a chance de se capturar retorno nos maiores potenciais de valorização é única: períodos de crise.
Duas realidades
Falando em crise, então não seria o momento ideal? Investigando a proposta de Dimson, Tim Hanson, da Motley Fool, chega a uma conclusão: não.
À fundo na China, o primeiro exemplo que vem à cabeça quando se fala em potencial de crescimento da economia, Hanson encontrou duas realidades. A costa, que envolve regiões como Pequim, Shanghai e Shenzhen, e a China oeste, mais pobre e menos conhecida, mas também com elevado potencial de crescimento.
Os holofotes acabaram tornando os ativos da costa chinesa bem mais caros que os do lado oeste do país. Na costa desenvolvida, as ações operam atualmente em uma média de 25 vezes o lucro estimado (P/L – relação do preço da ação com o lucro da empresa). Na China rural a oeste, esta relação traz uma média de 13 vezes.
Fora dos holofotes
E enquanto a China desenvolvida cresce numa média próxima de 9%, a rural registra crescimento em torno de 16% por ano de 1998 a 2008.
A pesquisa de Hanson contraria a tese de Dimson; ou melhor, acrescenta que o maior potencial de ganhos pode não depender apenas do maior potencial de crescimento, mas estar no potencial menos precificado, o potencial fora dos holofotes.