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A derrota da coalizão governista na eleição em Buenos Aires e a queda subsequente dos ativos financeiros não invalidam a estratégia pró-mercado adotada pelo governo em 2023. No entanto, para que o plano se concretize, será preciso reconquistar a confiança dos agentes econômicos.
Essa é a avaliação do Itaú BBA sobre o cenário atual na Argentina, após a base de Javier Milei perder por 13 pontos no final de semana. Para o banco, que divulgou relatório sobre o tema nesta terça-feira (9), a derrota na capital exige uma guinada estratégica, que será crítica para moldar as expectativas futuras do mercado.
“Após os resultados muito piores do que o esperado para o partido governista, autoridades reconheceram a necessidade de ajustes. Dito isso, ainda não está claro se esses ajustes envolverão uma reorganização da equipe política, a formação de novas alianças ou a recalibração da narrativa eleitoral”.
Segundo o relatório, os pontos a monitorar agora são os sinais do governo – políticos e econômicos – para reconstruir a confiança do mercado; os rendimentos no leilão do Tesouro desta semana; e o desempenho do câmbio e a presença oficial no mercado futuro.
De olho nas eleições de outubro
O Itaú BBA mencionou que Buenos Aires responde por 38% do eleitorado nacional, um número expressivo, mas não definitivo. Os holofotes agora se voltam para as eleições legislativas nacionais de 26 de outubro, quando serão renovados metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado.
A diferença entre fundamentos e preços, segundo o banco, evidencia um prêmio político. “Com as contas fiscais ainda amplamente equilibradas e o déficit em conta corrente administrável, a precificação de mercado reflete os riscos percebidos em torno da governança, não um colapso macroeconômico”.
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As taxas reais de curto prazo estão próximas de 40%, enquanto os títulos CER (públicos indexados à inflação) de um ano rendem cerca de 20%. Para o banco, esses números, somados aos indicadores mensais, refletem a forte rigidez monetária e sugerem uma desaceleração contínua.
Mas “sem uma melhora no sentimento, será cada vez mais difícil sustentar o rumo atual da política”, disse o banco.
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Preços dos ativos continuam atraentes
O Itaú BBA mencionou ainda no relatório que, apesar da derrota, os preços dos ativos continuam atraentes. Grandes companhias do setor, como Grupo Financiero Galicia, Banco Macro e BBVA – que passaram por volatilidade após o resultado das eleições – estão sendo negociados a apenas 0,8x-0,9x valor patrimonial e cerca de 3x preço/lucro estimado para 2026.
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Já no setor de energia, as empresas petroleiras YPF e Vista estão sendo negociadas abaixo de 3x EV/EBITDA (valor da empresa/lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 2025 – patamares normalmente associados a crises, não aos fundamentos atuais.
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“Esses níveis são fortemente descontados, mesmo considerando prováveis revisões para baixo”, disse a casa, reforçando, no entanto, que a volatilidade deve dominar até o fim de outubro.
