Argentina, Europa, Brasil e até os EUA entram na roda

Conteúdo do Portal InfoMoney - Editoria Mercados

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08h20 – 12/07
Coluna do Tamer
LONDRES – Nessa semana, veio tudo junto para atrapalhar. O desemprego aumenta nos EUA, a situação política se complica na Argentina, o clima cambial se anuvia no Brasil e a economia européia recua mais, puxada pelo Banco Central Europeu (BCE), que manteve os juros. E os ministros das Finanças dos G-7 reúnem-se sem ter idéia do que fazer. Esperavam-se notícias boas dos Estados Unidos, mas, naquele sobe-e-desce, vieram más. O desemprego, em junho, chegou a 4,5% da força de trabalho, nível estimado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) não para o primeiro semestre, mas para o fim do ano. Menos emprego significa que pode haver menos consumidor comendo hambúrguer e bebendo Coca-Cola, os “símbolos-sustentáculos” da economia mundial, que, prevê a OCDE, deverá crescer apenas 1,9% neste ano. A bolsa americana caiu e os analistas saíram repetindo o que já vinham dizendo: a recuperação é frágil. “Não só frágil, mas continua se enfraquecendo”, acrescenta Alex Beuzelin, analista da Ruesch International, em Washington. Para ele, o Fed deverá cortar novamente as taxas de juros, mas isso não adiantará muito se não houver uma retomada na Europa e na Ásia.
Argentina, Menem e cia.

Mas não foi só isso. “O mercado financeiro, aqui, na City, está olhando com preocupação maior as notícias vindas do Brasil e da Argentina, que não inspiram nenhum alívio”, diz à coluna Wilber Colmerauer, do BBVA Securities, em Londres. “Os três problemas que já pressionavam antes se intensificaram ainda mais. Na Argentina, a crise política recrudesceu, repercutindo na economia, com o reforço da prisão domiciliar do ex-presidente Menem. Isso leva o Partido Justicialista a rever sua participação no projeto econômico do governo De la Rúa. Queiramos ou não, Menem governou o país por dez anos e criou, com o ministro Cavallo, o atual sistema de conversibilidade, que continua. Tudo isso traz incertezas ainda maiores sobre a delicada situação financeira internacional da Argentina.”
Brasil também

E como a City avaliou o Brasil nessa semana meio confusa? “O mercado está vendo também com muita preocupação os novos índices de produção industrial, no Brasil, que neste ano já registram um recuo de 6,2%. O mercado acrescenta a isso as indecisões na área cambial e as conseqüências do racionamento. Tudo isso, mais o desemprego nos EUA e a inegável retração européia, aumentou o nível de cautela dos investidores. Para eles, este é um momento de grande incerteza, o que explica, em parte, o recuo dos C-bonds da dívida brasileira. Eles chegaram a cair, na sexta-feira, para até 71% do valor de face e fecharam em Londres a 72,5%”, registra Colmerauer. Essa foi uma semana curta, pois, na segunda-feira, houve feriado nos EUA, que terminou com esse dado do desemprego americano nada animador.

“Numa situação normal, tudo bem. Mas, quando todas as economias recuam, temos o agravamento dessa crise argentina, que é estrutural, estes sinais do Brasil, e o BCE não se sensibiliza para a recessão européia, qualquer sinal negativo, mesmo isolado, vindo dos Estados Unidos, pesa muito no mercado dos países emergentes”, conclui Wilber Colmerauer.

Um outro analista, mais irreverente, em meio aos boatos e rumores tradicionais de fim de semana, acrescenta: “Essa história do desemprego americano de 4,5% foi um chute no pé da barraca… Não tem mais nada para segurar…”

Dólar recua, em alta…

Com os 4,5% de desemprego nos EUA, o dólar recuou pela primeira nas últimas semanas, mas continuava alto. O euro valorizou-se um pouco, estava cotado a US$ 0,842, acima do recorde de baixa, em outubro, quando chegou a US$ 0,8230. Na quinta-feira, ele estava a US$ 0,83. Isso porque se as notícias nos EUA, na sexta-feira, não foram boas, na eurozona eram ainda piores. O BCE manteve os juros em 4,5%, reafirmando sua prioridade na inflação, e não aceita um índice maior que 2%. (Ela estava em 3,6% e recuou para 3,1% nessa semana.)
Façam alguma coisa!

É nesse clima que os ministros das Finanças dos G-7 reúnem-se em Roma. O secretário do Tesouro dos EUA, Paul O’Neill, declarou, antes de embarcar para a Itália, que leva uma mensagem de “confiança na retomada da economia americana neste fim de ano”, mas também uma preocupação. Deixará novamente bem claro “que o Japão e a Europa precisam tomar parte nesse esforço”. O’Neill lembrou que os EUA já baixaram os juros seis vezes neste ano e injetarão nos próximos meses US$ 40 bilhões na economia, com corte de impostos que chegarão diretamente ao bolso do consumidor. A Grã-Bretanha, acrescentou, está caminhando nesse sentido, mas não os países da eurozona.
“Os EUA estão irritados com a Europa. O BCE toca violino enquanto a economia da Europa pega fogo”, comentou a economista-chefe da Brown Brothers Harriman, Anne Mills, refletindo bem o clima entre os investidores que não se conformam com uma recessão evitável.

Petróleo a 30 euros!!!

A contradição do BCE – ou dilema, se quiserem – é que um euro fraco está sendo apontado, por praticamente todos os ministros das finanças europeus e americano, como uma das causas principais da inflação. De acordo com estudo do JP Morgan, o custo da energia, na Europa, pesa 13,6% no cálculo da inflação. Ora, como o petróleo é negociado em dólar, que está mais valorizado que o euro, um barril de petróleo ao preço atual de US$ 26 está custando para os países da Eurozona, para a França e a para Alemanha nada menos que 30,7 euros!!!
Ou seja, um euro fraco, que não preocupa o BC, é a origem principal da inflação, que ele mesmo segura a economia para combater.
E agora, José? A festa acabou, etc., etc., etc…

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