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Visando conter uma nova corrida aos bancos, foi decretado feriado bancário nesta sexta-feira na Argentina. Os bancos abrirão apenas para realizar operações restritas, não sendo permitidas transações envolvendo compra ou venda de dólares, transferência de contas ou novos depósitos. Já no campo político, o Congresso argentino se reúne às 11h, horário local, para aceitar a renúncia do Presidente De la Rúa e apontar o substituto. O que se discute agora é a necessidade ou não de eleições antecipadas para decidir quem tomará a liderança do país nos próximos anos.
Feriado bancário tenta evitar crise bancária
A decretação de feriado bancário tem como objetivo reduzir a possibilidade dos argentinos de retirarem, trocarem ou transferirem os recursos depositados em bancos. Apenas operações restritas, como recebimento de aposentadoria, pagamento de impostos ou contas e retirada de dinheiro até o limite semanal de $ 250,00 serão permitidas.
Qualquer operação envolvendo moeda estrangeira fica impossibilitada e a não abertura da Bolsa de Buenos Aires impede uma maior saída de recursos do sistema bancário. De fato, a forte alta na bolsa argentina nos últimos dias foi causada pela maciça saída de recursos dos bancos para a bolsa, com os investidores argentinos buscando alternativas mais seguras para investir seu dinheiro.
Congresso se reúne para apontar substituto de De la Rúa
O Congresso argentino se reúne na manhã desta sexta-feira para aceitar a renúncia de De la Rúa e apontar seu substituto. O senador peronista Ramón Puerta deve receber o cargo, uma vez que a Argentina não tem vice-presidente desde outubro de 2000, após a renúncia de Carlos “Chacho” Alvarez ao cargo.
Já começam as especulações quanto à sucessão de De la Rúa. Muitos acreditam que a solução passe pela convocação de eleições antecipadas, mantendo Puerta no posto por 90 dias como presidente interino.
Quebra da convertibilidade pode ocorrer em breve
Segundo informações dos principais jornais argentinos, a cúpula do Partido Justicialista, ou Peronista, que assume agora o poder, prefere o fim da convertibilidade com a desvalorização do peso à dolarização da economia. Boatos já circulam em Buenos Aires indicando que a nova equipe econômica pode anunciar a “desdolarização” dos contratos, ou seja, a conversão de todo o endividamento em dólares da economia em pesos. Após isso, a convertibilidade seria quebrada e o peso se desvalorizaria, para se manter em uma banda cambial determinada pelas autoridades econômicas.
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Embora no momento nenhuma decisão tenha sido anunciada, a tendência de seguir a rota da desvalorização ao invés da dolarização deve agradar a maioria dos analistas, embora a adoção de um sistema de bandas cambiais seja bastante arriscada, como verificado no Brasil no início de 1999.