Arezzo (ARZZ3) e Grupo Soma (SOMA3) saltam na Bolsa com conversas para fusão confirmadas

O grupo Soma informou que há conversas em andamento com a Arezzo&Co para a fusão, mas sem acordo vinculante

Equipe InfoMoney

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As ações das redes de varejo de moda Arezzo&Co (ARZZ3) e Grupo Soma (SOMA3) disparam na tarde desta quarta-feira (31) em meio a notícias sobre a fusão.

O salto dos papéis, que chegaram a registrar ganhos superiores a 10%, começou por volta das 14h30 (horário de Brasília), quando os portais NeoFeed e Brazil Journal publicaram as negociações para uma fusão iminente das companhias, levando à criação de uma grande varejista de moda.

Os papéis SOMA3 tiveram a negociação interrompida às 15h36 (com alta de 16,52%, a R$ 7,90) e os ARZZ3 às 15h42 (com avanço de 12,93%, a R$ 63,06) por conta de um fato relevante a ser divulgado pelas companhias. As ações voltaram a negociar depois das 16h, com a continuidade da disparada durante o restante do pregão: SOMA3 fechou em alta de 16,81% (R$ 7,92), enquanto ARZZ3 subiu 12,09% (R$ 62,59).

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As empresas informaram que há conversas em andamento a respeito de possível associação mediante a junção de suas operações e bases acionárias, envolvendo as ações das respectivas companhias e a governança compartilhada do negócio combinado.

As negociações envolvem a permanência do CEO do Soma, Roberto Jatahy, à frente do comando das marcas sob gestão do Grupo Soma, e o Alexandre Birman como CEO da companhia combinada.

“Não há, no momento, qualquer documento vinculante firmado e, portanto, não se pode confirmar que a operação de fato se realizará”, ponderaram.

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Segundo noticiou o NeoFeed mais cedo, “faltavam apenas detalhes para que a operação, que será 100% via troca de ações, seja divulgada oficialmente”, citando fontes próximas do negócio.

De acordo com o Brazil Journal, a transação estaria sendo feita a preço de tela, sem atribuição de prêmio para qualquer um dos lados. Pelos termos propostos, os acionistas da Arezzo&Co ficariam com 56% da empresa combinada, e os acionistas do Soma, com 44%, uma média dos papeis nos últimos dias. A projeção é de criação da maior plataforma de marcas de moda do Brasil com sinergias estimadas em R$ 4,5 bilhões.

Olhar dos analistas

Para Victor Bueno, analista da Nord Research, ainda é cedo para falar sobre os detalhes da possível fusão. “Os comentários são de que Alexandre Birman, CEO da Arezzo, seria CEO da companhia resultante, enquanto Roberto Jatahy, atual CEO da Soma, ficaria à frente da unidade feminina. Mas não há nada confirmado”, comenta.

“Mas é um negócio que faz bastante sentido. O assunto já havia surgido em 2021, com contratação de bancos, mas agora parece ter sido olho no olho”, explica Bueno.

Ele relembra, no entanto, que alguns acionistas já se mostraram contra a movimentação, caso da BlackRock e da família do Grupo Hering, que seriam diluídos.

O argumento da Soma e da Arezzo para tentar convencer os diluídos é de que eles seriam acionistas de uma empresa muito maior. “Fora que, apesar de serem de nichos específicos, elas atuam no mesmo setor, além de possuírem características financeiras e operacionais muito parecidas”, explica.

Ana Paula (Popy) Tozzy, CEO da AGR Consultores, pontua que a movimentação criaria uma das maiores empresas de moda da América Latina, com R$ 12 bilhões em receita – fora o fato de sinergias de produtos, que são complementares para os dois lados. “O desafio, se o negócio sair, estará, como sempre, no pós. Basta lembrar da Natura e da Avon. Primeiro que a real captura das sinergias de backoffice é difícil de sair. Funciona muito bem no excel da equipe de M&A, mas nem sempre na vida real”, debate

Para ela, há também a questão de adaptação cultural. “São duas empresas com culturas diferentes. De um lado, no Soma, já existe uma cultura dos ‘criadores’ de cada marca estarem à frente das decisões, enquanto o backoffice é centralizado. Na Arezzo, temos uma forte personalidade na liderança do grupo. Adaptar estilos culturais e de liderança não é banal…” fecha Popy.