Petróleo

Arábia Saudita indica que está farta de “trapaças” da Opep+

Os membros se reúnem em 5 de dezembro e com os aliados da chamada Opep+ no dia seguinte

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(Bloomberg) — Nos últimos 12 meses, a Arábia Saudita fez vista grossa às trapaças dos aliados da Opep+, cortando sua produção acima do combinado para compensar a superprodução de países como Iraque e Rússia. Agora, o reino estaria pronto para dar um basta.

O príncipe Abdulaziz bin Salman, que substituiu Khalid Al-Falih em setembro, deve usar sua primeira reunião da Opep como ministro do Petróleo saudita, na semana que vem, para sinalizar que o maior produtor do cartel não está mais disposto a compensar a não conformidade de outros membros, segundo pessoas a par do assunto.

Os membros da Opep se reúnem em Viena em 5 de dezembro e com os aliados da chamada Opep+, que inclui a Rússia, no dia seguinte.

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“A Arábia Saudita está adotando uma linha mais dura do que no passado”, disse Amrita Sen, analista-chefe de petróleo da consultora Energy Aspects, em Londres. “Riad está deixando muito claro que não quer arcar com todos os cortes sozinha.”

A disposição de tolerar trapaças foi uma parte essencial da política do “que for preciso” para sustentar os preços do petróleo que Al-Falih estabeleceu no fim de 2016, parafraseando o ex-presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi.

Al-Falih tolerou as trapaças, mas tentou convencer os países da Opep+ a reduzirem a produção de acordo com o que haviam prometido. Mas, quando suas advertências falharam e os preços do petróleo caíram, colocando em risco a oferta pública inicial da petroleira estatal Saudi Aramco, o então ministro simplesmente decidiu arcar com o ônus.

No início do ano, em uma mudança abrupta em décadas da política de petróleo da Arábia Saudita, Riad reduziu a produção muito abaixo da meta acordada.

Ainda não está claro se a nova política representa simplesmente um tom diferente ou uma mudança mais significativa. Autoridades sauditas dizem nos bastidores que o príncipe Abdulaziz simplesmente vai reforçar o mantra saudita de décadas que todos precisam contribuir para que os cortes na produção sejam bem-sucedidos.

Durante o mandato de Ali Al-Naimi, ministro do Petróleo de 1995 a 2016, Riad se recusou resolutamente a reduzir a produção além do que havia acordado nas reuniões da Opep.

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O príncipe já afirmou isso quando participou de uma reunião do comitê da Opep+ em Abu Dhabi, em setembro.

“Todo país conta, independentemente do tamanho”, disse na sessão de abertura da reunião.

A trapaça foi generalizada. O Iraque, por exemplo, não deve bombear mais que 4,51 milhões de barris por dia; mas, em alguns meses, produziu quase 4,8 milhões de barris por dia.

O Cazaquistão aceitou um limite de 1,86 milhão de barris por dia, no entanto, produziu perto de 1,95 milhão de barris. A Nigéria concordou com uma cota de 1,68 milhão de barris por dia, mas regularmente bombeia mais de 1,8 milhão de barris por dia.

A Rússia bombeou mais petróleo do que o permitido pelo acordo da Opep+ em oito meses deste ano. O país cumpriu o contrato em apenas três meses de 2019 – maio, junho e julho -, quando a interrupção do oleoduto Druzhba empurrou a produção abaixo da meta da Opep+.

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