Apostando em gradualismo do Fed, Merrill Lynch eleva recomendação do Brasil

Notícia foi muito bem recebida pelo mercado local; analistas acreditam que gradualismo do Fed deve beneficiar emergentes

Publicidade

SÃO PAULO – Refletindo a elevação do rating soberano do Brasil promovida pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s, na última sexta-feira, o banco de investimentos Merrill Lynch trouxe ao mercado brasileiro uma outra boa notícia nesta segunda-feira. É que o banco norte-americano elevou a recomendação dos títulos da dívida externa brasileira em sua carteira de investimentos.

Neste sentido, a Merrill Lynch elevou a classificação dos títulos brasileiros de equalweight, ou seja, em linha com a média do mercado, para overweight, isto é, acima da média do mercado. A notícia foi bem recebida pelo mercado brasileiro, possibilitando um maior fôlego ao Ibovespa e também aos títulos da dívida externa brasileira, como o C-Bond e o Global 40.

Enquanto isso, o risco país, que mede, basicamente, o spread, ou diferencial, médio entre os títulos da dívida externa brasileira e o rendimento dos Treasuries, registrou uma forte queda, operando em torno dos 450 pontos base, seu menor valor desde janeiro deste ano.

Gradualismo do Fed deve favorecer títulos emergentes

De acordo com o relatório da Merrill Lynch, a elevação da recomendação dos títulos brasileiros na carteira de investimentos reflete, basicamente, projeções de que a trajetória do juro norte-americano traga um “cenário amigável” para os bônus da dívida de economias emergentes. De acordo com as projeções da Merrill Lynch, a inflação esperada para este ano aponta para um juro de 2% ao ano nos EUA no final de 2004.

O banco estima que, com esse nível de juro, os Treasuries de 10 anos do Tesouro norte-americano deverão encerrar 2004 com rendimento de 4,25% ao ano. Vale destacar que anteriormente a Merrill Lynch estava projetando um rendimento de 5% para os títulos de 10 anos do Tesouro norte-americano no final deste ano, de forma que essa redução sugere um melhor cenário para os bônus de países emergentes.

Tendo isto em vista, a Merrill Lynch acredita que os títulos da dívida de países emergentes devem apresentar uma rentabilidade de 8,8% neste ano, considerando o rendimento de 6,3% já registrado até agora. Além disso, os analistas ainda acreditam que os fundamentos da economia brasileira deverão continuar melhorando, possibilitando ao investidor ampliar cada vez mais sua exposição aos títulos brasileiros.

Continua depois da publicidade

É interessante notar que na carteira de recomendações da Merrill Lynch, o Brasil aparece com a maior participação dentre os países emergentes. Para se ter uma idéia, o banco sugere a alocação de 21% da carteira em títulos brasileiros, sendo que em segundo lugar vem o México, com 16,5% da carteira sugerida. Em terceiro fica a Rússia, com exposição de 16,4%.