Após um mês de volatilidade nos mercados, o que esperar de setembro?

Investidores deverão ter a visão de longo prazo e aproveitar as fraquezas que se apresentarem para ajustar o portfólio, diz Ativa

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SÃO PAULO – Agosto foi um mês marcado pela volatilidade nos mercados. Após as altas registradas no início, o final do mês repercutiu a apreensão dos investidores frente a uma possível correção. Mesmo com as oscilações, o Ibovespa fechou o oitavo mês do ano com valorização, de 3,15%. Em sentido oposto, a China viu o principal índice da bolsa de Xangai encerrar agosto com queda de 22%, preocupando ainda mais os mercados globais.

Entre perdas e ganhos, segundo a Ativa Corretora, os investidores refletiram em agosto a falta de confiança numa recuperação mais consistente, justificando a volatilidade nos mercados, que deve continuar no curto prazo, puxada pela divulgação de indicadores da atividade interna e externa. “Os investidores deverão ter a visão de longo prazo e aproveitar as fraquezas que se apresentarem no curto prazo para ajustar o portfólio”, disse.

Com ou sem volatilidade, setembro já mostrou indicadores em linha ou melhores que o esperado pelo mercado, frutos de um processo de recuperação das principais economias globais, incentivados pelos estímulos dos bancos centrais e dos governos. Neste sentido, a Ativa revelou que uma melhora no nível de confiança dos consumidores e dos empresários já pôde ser observada.

“A questão a ser observada no curto prazo é o quão desse cenário bem melhor do que se imaginava ao final de 2008 já está precificado nos ativos. O anúncio de novas emissões de ações mostra a recuperação do mercado de capitais, as perspectivas favoráveis para o médio prazo em cada segmento e ainda a percepção dos acionistas controladores de que os preços dos seus ativos estão num patamar razoável”, avaliou a corretora.

Indicadores: o que esperar?

Na cena internacional, ganham destaque especial os dados referentes ao consumo das famílias norte-americanas diante dos temores de sustentabilidade da recuperação da economia dos Estados Unidos. Atenções também se voltam à Ásia: “Cada vez mais os dados da China têm gerado mais expectativa nos mercados, em especial os dados de concessão de crédito, que devem ser divulgados entre os dias 10 e 14”, disse a Ativa.

Em âmbito nacional, a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), na qual a autoridade monetária manteve a taxa básica de juros brasileira no patamar de 8,75% ao ano, deve trazer informações relevantes para a trajetória da curva de juros no País. Outros destaques da pauta interna em setembro serão os dados de vendas do varejo e desemprego, que devem “manter as perspectivas otimistas em relação à demanda doméstica”.

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No setor corporativo, destaque para a novela do novo marco regulatório do pré-sal, que a cada dia vive um novo capítulo. Com os projetos de lei em tramitação na Câmara dos Deputados e muitos interesses envolvidos, este assunto deve se manter na pauta em setembro. Para a Ativa, a nova regulação para o setor trará pouco impacto no curto prazo, porém, deverá mudar de forma relevante a participação dos agentes no desenvolvimento do pré-sal, em especial da Petrobras.

Considerando todos estes indicadores, a corretora conclui que “a estratégia de privilegiar ativos voltados ao mercado doméstico, que se beneficiam mais rapidamente da queda da taxa de juros, papéis atrasados em relação aos seus pares e ainda papéis defensivos com valor deve ser mantida”.