Após um ano sem emissões soberanas, governo deve emitir no mercado externo

Banco Central informou ao final da tarde desta segunda-feira que deve emitir bônus no mercado externo, animando investidores

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SÃO PAULO – Confirmando as expectativas do mercado, o Banco Central do Brasil, na qualidade de agente do Tesouro Nacional, anunciou no final da tarde desta segunda-feira a concessão de mandato para os bancos Merril Lynch e UBS Warburg para liderar uma emissão de títulos brasileiros no mercado externo.

O anúncio foi bem recebido pelos investidores, visto que não se registra uma emissão soberana desde abril de 2002. Com a boa receptividade alcançada junto ao mercado, a notícia fez com que a Bovespa revertesse seu movimento de queda e encerrasse as negociações em alta, assim como os principais títulos da dívida externa brasileira, de forma que o C-Bond subiu 0,73%.

BC adotará cláusula de ação coletiva

Antes mesmo da confirmação pelo Banco Central, os rumores de que o Tesouro faria uma nova emissão de títulos públicos foram sustentados pelo anúncio do Banco Central acerca da adoção da cláusula de ação coletiva no caso de emissões no exterior. A adoção de tal cláusula é interessante, à medida que facilita modificações nos termos contratuais, como taxa de juro e prazo, sem a anuência de todos os credores.

Emissão deve ocorrer rapidamente

Após a confirmação de que uma nova emissão de bônus brasileiros será feita pelo governo, o mercado financeiro já especula quando ocorrerá tal emissão. De acordo com os rumores do mercado, a emissão poderá ocorrer já nesta terça-feira (29 de abril), dependendo unicamente das condições de mercado, como demanda por títulos e remuneração pedida pelos investidores.

Em abril de 2002, última vez em que houve uma emissão soberana, foram captados US$ 1,0 bilhão em bônus globais, com vencimento para 2010. O spread pago por estes títulos em relação aos Treasuries norte-americanos era de 719 pontos base na ocasião.

Crise de confiança do mercado inibiu emissões

O grande intervalo sem emissões soberanas de títulos brasileiros reflete, sob grande medida, as condições desfavoráveis de mercado para a realização de tais emissões. Neste sentido, as incertezas geradas pelo processo eleitoral em 2002 inibiu a demanda por títulos brasileiros, ao mesmo tempo que ampliou a taxa de remuneração pedida pelos investidores, face ao alto risco dos bônus.

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Com a superação da crise de confiança e, portanto, a menor aversão ao risco, criaram-se as condições necessárias para que uma nova emissão fosse feita, corroborando, neste sentido, a melhor confiança passada pela economia brasileira ao mercado internacional de capitais.