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SÃO PAULO – Após três pregões de recuperação das bolsas externas, os principais mercados internacionais amanhecem nesta terça-feira (22) estáveis, realizando parte dos lucros recentes e com atenções voltadas para os ataques das forças ocidentais a instalações líbias, principalmente de defesa aérea. Os futuros norte-americanos seguem com valorização, mas bastante amena, enquanto as bolsas europeias mostram tendências divergentes, com Londres em leve queda.
Durante esta madrugada, a coalizão ocidental, que envolve entre outros países a França, os EUA e a Inglaterra, continuou a realizar ataques aéreos e com mísseis à capital da Líbia, Trípoli. A missão resulta da resolução aprovada na última quinta-feira (17) pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), que autorizou o emprego de “todos os meios necessários” para proteger os civis da violência das forças do ditador Muammar Gaddafi.
Ataques devem diminuir
De acordo com o jornal britânico Daily Telegraph, um avião de guerra norte-americano teria caído na Líbia na véspera, o que teria ocorrido por uma falha mecânica. Ainda de acordo com a publicação, o piloto estaria bem. Também na segunda, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse em coletiva de imprensa que o controle das operações será transferido em “questão de dias, não de semanas” dos EUA para outra nação.
De acordo com um general norte-americano que preferiu não se identificar, a frequência dos ataques a instalações líbias deve diminuir, já que Washignton mostra-se reticente em se envolver em um guerra civil no país.
Apesar dos contínuos embates, desde o início das operações militares ocidentais, diminuiu a percepção de risco. Para Paul Donovan, economista do UBS, não é que o risco geopolítico tenha simplesmente desaparecido, mas há pouco de novo, neste momento, para ocupar o noticiário dos mercados financeiros.
Vale atenção para reunião da UE
Neste contexto, acredita Miriam Tavares, diretora da Câmbio da AGK Corretora, a agenda econômica do dia pode voltar ao primeiro plano. No Reino Unido, a inflação ao consumidor em fevereiro atingiu 4,4% ao ano – em janeiro, a taxa registrada foi de 4,0%. Vale lembrar que nas mais recentes decisões de política monetária do BoE (Banco da Inglaterra), o ritmo de aumento dos preços foi apresentado como fator crítico, colocando em dúvida os estímulos via compra de títulos e juro baixo.
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Além disso, para o Société Générale, embora o suspense tenha diminuído, investidores ainda irão prestar atenção à reunião dos membros da União Europeia que ocorrerá entre os dias 24 e 25 de março. Na véspera, lembra Paul Donovan, do UBS, alguns detalhes acerca do ESF (Fundo Europeus de Estabilidade) começaram a surgir. O novo fundo, que substituirá o atual, terá € 700 bilhões, “mas não exatamente”. Isso porque a maior fatia, de € 620 bilhões, só será liberada em 2016, se necessário.
Além disso, escreve o Société, “é válido lembrar que os líderes do continente ainda têm que mostrar como o EFS ficará mais flexível e desenvolver as primeiras medidas concretas dentro do Pacto do Euro”. Os títulos de Portugal, lembra o banco, continuam pressionados, e na Irlanda ainda há dificuldade em conseguir melhores termos de financiamento, já que as preocupações com o setor bancário continuam a pesar. “A reunião no final desta semana ainda deve ser monitorada”, conclui o Société.
Agenda e resultados
Nos Estados Unidos, a agenda escassa traz o índice de preços residenciais e a Sondagem Industrial do Federal Reserve de Richmond. Deve repercutir ainda a informação divulgada na véspera de que o Tesouro norte-americano planeja vender sua carteira de US$ 142 bilhões de ativos lastreados por hipotecas garantidas por agências, que foi comprada durante a crise financeira.
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No Brasil, acredita Miriam Tavares, “além de acompanhar o comportamento dos investidores globais, os players devem seguir o debate sobre as medidas do governo para reduzir a inflação e para manter o câmbio em patamares um pouco mais elevados”. Além disso, atenção para a agenda de resultados, com destaque para os números trimestrais da PDG Realty (PDGR3).
De acordo com os dados publicados na véspera, o lucro líquido no quarto trimestre foi de R$ 213,1 milhões, aumento de 74% na comparação com o mesmo período de 2009. Com esse valor, o lucro líquido acumulado pela companhia em 2010 foi de R$ 875,3 milhões. Também apresentando trajetória crescente, a receita líquida da empresa avançou tanto na base trimestral quanto no acumulado do ano.