Após tensões, cúpula energética acaba com Venezuela importando etanol

Chávez recuou de menção negativa ao biocombustível no documento final; Bolívia quer pagar menos por refinarias

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SÃO PAULO – Após tensões acerca da inserção de um parágrafo no documento final da 1º Cúpula de Energética da Comunidade Sul-Americana de Nações que tratava o biocombustível como uma ameaça à segurança alimentar do continente, o encontro terminou com a Venezuela recuando e aceitando importar o etanol brasileiro.

“Quero esclarecer que nós não estávamos contra biocombustíveis. Queremos importar etanol do Brasil, além disso, sem taxas”, disse o presidente venezuelano na última terça-feira, ao final da cúpula.

Tensão Bolívia

Apesar do aparente recuo venezuelano em criticar a expansão do etanol nos países sul-americanos, o Brasil ainda precisa resolver divergências com o presidente boliviano, Evo Morales.

Segundo informações publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo, Morales estaria planejando pagar menos do que a metade do valor das refinarias da Petrobras nacionalizadas no ano passado pelo seu governo.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, não teria aceitado a proposta do boliviano e ameaçou cortar os investimentos da Petrobras na região. Caso Morales siga com o seu plano, a Petrobras pode deixar o país sem ao menos participar de um período de transição para a entrega dos ativos à estatal boliviana.

Banco do Sul

Além do documento que firma o compromisso dos países participantes da cúpula em realizar esforços para difundir a presença dos biocombustíveis no continente, nenhum outro significativo avanço foi realizado no encontro.

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Os países criaram o Conselho Energético da América do Sul que deve preparar um plano de ação até a próxima cúpula, marcada para outubro.

A criação do Banco do Sul, proposta de Hugo Chávez para uma alternativa latina ao FMI (Fundo Monetário Internacional) ainda não caminhou. O Brasil ainda questiona a finalidade do banco.