Depois da tempestade...

Após rasteira do governo, investidor deve garimpar para lucrar com elétricas

Companhias do setor terão que correr para reduzir custos e buscar estratégias para garantir lucro e, consequêntemente, bons dividendos aos acionistas

SÃO PAULO – O mercado ainda está tentando precificar os efeitos da Medida Provisória 579, que com o pretensão de garantir a redução dos custo da energia, conforme prometido pela presidente Dilma Rousseff, deve impactar negativamente no Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) para as companhias do setor nos próximos anos.

Para amenizar os efeitos de uma medida que passou do campo técnico para uma briga política entre estados – os estados que não aceitaram as medidas são governados por políticos que não são do PT (Partido dos Trabalhadores) de Dilma -, as companhias impactadas pela MP vão correr atrás da redução de custos para se adaptar à nova realidade de receitas e tarifas para o setor.  

Caso contrário, os efeitos dessa redução na geração de caixa serão sentidos no pagamento de dividendos, até então visto por investidores como a “menina dos olhos” nos ativos do setor elétrico. 

Ainda que esperado uma melhora no cenário por meio da redução de custos e aquisição de ativos, empresas menos afetadas pelo processo de renovação de concessões são apontadas como alternativas dentre as empresas do setor por ainda garantirem a previsibilidade de seus resultados. 

Os analistas Rafael Dias, do BB Investimentos, e Luis Gustavo Pereira, analista da Futura investimentos, apontam a CPFL Energia (CPFE3), Tractebel (TBLE3), Taesa (TAEE11), Equatorial Energia (EQTL3) e Coelce (COCE5) como alternativas dentre as menos impactadas pelo processo.

Essas empresas sofreram menos ou não tiveram impactos das medidas da MP por não possuírem concessões com prazo de vencimentos previstos entre 2015 e 2017 ou por atuarem apenas na distribuição da energia elétrica. “Para esses casos os impactos são menores e não caracterizariam um a perda de previsibilidade nos resultados, mantendo o caráter defensivo dos papéis”, afirma Dias.

Corrida para reduzir custos
O analista do BB aponta entre as empresas que terão seus resultados afetados pelo processo a Eletrobras (ELET3, ELET6), Transmissão paulista (TRPL4) e Cesp (CESP6). 

Incluindo ainda a Eletropaulo (ELPL4) entre elas, o analista da Futura Investimentos diz que esse processo deve diminuir os recursos que as empresas vão distribuir no curto prazo. “Isso de certa forma deixa o setor volátil e para o longo prazo pode afetar os dividendos distribuídos”, explica o analista.

Para reduzir esse impacto negativo da medida provisória essas companhias precisarão reduzir  de custos para se adaptar à nova realidade de receitas e tarifas para o setor.

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Aquisições ou fortalecimento de caixa?
Para o analista do BB, este novo cenário pode incentivar ainda a busca por novos ativos, diante da necessidade de engordar a receita e obter retorno no curto prazo. “Como essas empresas vão receber as indenizações dos ativos não amortizados e existe uma necessidade de aumentar a receita, o que pode ter é um cenário de aquisições no setor”, explica Dias.

Pereira não acredita nesse apetite por aquisições e afirma que as empresas adotarão uma postura mais defensiva, visando garantir valores ao investidor. Contudo, eles concordam que mesmo em meio ao cenário de turbulência, as concessionárias de energia não perdem o caráter defensivo e que o mercado precisará garimpar mais para encontrar dentre as empresas do setor eletrico, papéis que ainda garantirão um retorno significativos em termos de dividendos.

Para Dias, provavelmente o que vamos ver nos próximos anos, além de uma mudança nas estrutura de custos, e a expectativa por esse caso pontual de reavaliação dos ativos, que no momento que ocorrer deve afetar os resultados.

Contudo, após esse momento mais turbulento, o setor volta a ter as mesmas características de previlibiliade de receitas, margens estáveis e pagamento de dividendos – em alguns casos em um patamar menor, mas previsíveis.

“Além disso, como esses papéis já sofreram quedas fortes, eventualmente pode ocorrer um retorno de dividend yield (dividendo pago por ação/cotação esperada para a ação) em um nível parecido do que era antes”, conclui. 

Próximos capítulos
O anúncio da expectativa de redução do preço da energia por meio de novas regras para as renovações de concessões em setembro e da definição por parte das empresas no dia 4 de dezembro se aceitariam ou não antecipar as renovações de concessões trouxeram muita volatilidade ao setor. Contudo, o momento da expectativa ainda não terminou e o mercado aguarda agora pelos próximos capítulos sobre o setor para tomar suas decisões.

Uma deles é que a MP deverá passar agora pela comissão mista, pelo senado e pela câmara de deputados, o que pode resultar na aprovação de emendas propostas pelas empresas ou não. “É difícil prever se alguma emenda vai ser aprovada ou não. Mas se vier alguma coisa, não deve ser assim tão significante”, avalia Dias.

Além disso, ainda é esperado um pronunicamento do Governo a respeito de como sobre a reavaliação dos ativos intangíveis e imobilizados nos balanços da empresas, já que o que elas estavam contabilizando era bem diferente do valor estimado pela Aneel (Agência Nacional de Energia elétrica).

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“Os ajustes podem acontecer agora para as empresas que aderiram e para aquelas que não aderiram às renovações pode ser que esses anúncios aconteçam em 2015, 2016  ou 2017. Isso ainda não está muito claro e não houve um pronunciamento oficial a esse respeito”, comenta Dias.