Após passar o dia em baixa, dólar reverte e fecha praticamente estável

Moeda chegou a registar queda de 1,93% no intraday; piora no humor dos mercados e intervenção do BC ajudaram para a reversão

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SÃO PAULO – O dólar comercial apresentou uma movimentação bem atípica nesta quarta-feira (26). Após abrir o dia com queda de 1,93% e operar com variação negativa entre 0,6% e 1% durante praticamente todo o intraday, a moeda norte-americana inverteu sua trajetória nos últimos minutos de negociação, fechando com valorização de 0,05%, sendo cotado a R$ 1,869 na venda.

Melhores projeções para o crescimento econômico mundial em 2010 e números favoráveis da agenda norte-americana amenizaram as preocupações dos investidores em relação à situação fiscal de alguns países europeus, contribuindo para a depreciação da divisa norte-americana durante boa parte do dia. Contudo, a piora no humor dos mercados, somado à nova intervenção do Banco Central do Brasil no câmbio, colaboraram para a reversão da tendência.

O BC realizou um leilão de compra de dólares no mercado cambial à vista. A operação desta quarta-feira ocorreu entre 15h40 e as 15h50 (horário de Brasília) e teve uma taxa de corte aceita em R$ 1,8558. Ainda por aqui, o governo anunciou que teve um superávit de R$ 16,576 bilhões em abril, revertendo o resultado negativo em R$ 4,559 bilhões visto em março.

Referências internacionais
Após consecutivas referências negativas acerca da situação fiscal da Europa, os investidores tiveram uma trégua nesta quarta-feira, principalmente por conta dos dados divulgados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que elevou de 1,9% para 2,7% sua projeção de crescimento para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2010 dos 30 países membros do grupo.

Aliado a isso, a agenda norte-americana trouxe indicadores mais favoráveis aos mercados. Enquanto que no mercado imobiliário o New Home Sales mostrou um volume de vendas de casas novas maior que o esperado em abril, o Durable Good Orders registrou um avanço superior ao que era previsto no número de pedidos e entregas de bens duráveis feitos à indústria norte-americana.

Mantega: pequeno impacto europeu no Brasil
Destaque ainda para as palavras de Guido Mantega. Após encontro com o diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, o ministro da Fazenda afirmou que os impactos da crise europeia no País têm sido bem pequenos até então, limitando-se no momento à diminuição no fluxo de capital.

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Além disso, Mantega voltou a dizer que a expansão econômica do País durante o primeiro trimestre será a maior do ano, por conta dos efeitos ainda causados pelas políticas adotadas para estimular a economia durante o agravamento da crise. Contudo, a partir destes três meses, haverá uma desaceleração nesse ritmo, o que levará o Brasil para um “crescimento sustentável”.

Dólar a R$ 1,869
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,8670 na compra e R$ 1,8690 na venda, leve alta de 0,05% em relação ao fechamento anterior. Com esta alta, o dólar acumula valorização de 7,54% em maio, frente à baixa de 2,41% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 7,34%.

Dólar futuro na BM&F também fechou em alta
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em junho  encerrou o dia cotado a R$ 1.868, forte alta em relação ao fechamento de R$ 1.847 da última terça-feira. O contrato com vencimento em julho, por sua vez, fechou em forte alta, atingindo R$ 1.881frente à R$ 1.861 do fechamento de ontem.  

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O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 1,8430000.

FRA de cupom cambial
Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 1,46 para julho de 2010, 0,03 ponto percentual abaixo do que foi registrado na sessão anterior.