Após o anúncio do PCE, inflação deve continuar a preocupar o Fed

Núcleo do índice inflacionário no anualizado de fevereiro subiu 2,4%, nível acima do confortável estipulado pelo Fed</I

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SÃO PAULO – A divulgação nesta sexta-feira (29) do índice de preços dos gastos pessoais com consumo (PCE, na sigla em inglês) nos Estados Unidos deve fazer com que a inflação do país continue sendo uma das maiores preocupações do banco central norte-americano (Fed).

Em fevereiro, o núcleo do índice, que não inclui os preços dos setores de alimentação e energia por serem considerados extremamente voláteis, subiu 2,4% no anualizado de feveriro. Em janeiro, o PCE, que antes foi estipulado em 2%, sofreu uma revisão e ficou em 2,2%. Ambos os dados estão acima do patamar de 2%, o limite do intervalo considerado confortável pelo banco central norte-americano.

Incluindo os setores de alimentação e energia, a variação do índice também apresentou aumento, saindo de 1,9% em janeiro para 2,3% em fevereiro. Tais números podem fazer com que o Fed reveja a sua atual política monetária futura. Em sua última decisão, a instituição manteve a taxa básica de juro no país em 5,25% ao ano e flertou com um eventual afrouxamento da política monetária no futuro.

Qual será a atitude do Fed?

A inflação mais alta nos Estados Unidos pode criar dificuldades para que o Fed administre um corte de juro e impulsione o crescimento no país. As expectativas de boa parte do mercado financeiro eram as de que, daqui para frente, ocorressem reduções na taxa básica de juro norte-americana.

Segundo Vladimir Caramaschi, analista da Fator Corretora, dificilmente o banco realizará cortes. “Não creio que isso seja possível. Além do PCE, outros indicadores fazem a economia norte-americana parecer demasiadamente volátil. Para quem via a possibilidade de reduções, o índice inflacionário de fevereiro foi uma ducha de água fria”, afirma Caramaschi.

Para ele, a próxima decisão do Fed será de, no mínimo, manter a atual taxa de juro. “Deverá ser assim até o final do ano. Se algum corte acontecer, será somente em 2008, quando o mercado e o próprio Fed conseguirem mensurar os efeitos da crise do setor imobiliário no país”, completa o analista.