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SÃO PAULO – Após muitas especulações em torno das metas de inflação para 2004 e 2005, o Conselho Monetário Nacional – o CMN – anunciou, no final da tarde desta terça-feira, sua decisão relativa a estes dois tópicos, não trazendo grandes surpresas no mercado.
Conselho elevou meta para 2004
Neste sentido, uma elevação da meta oficial da inflação para 2004 – fixada anteriormente em 3,75% no ano – já vinha sendo projetada pelo mercado, de modo que apostava-se numa equalização desta meta central com a meta ajustada para o período, ou seja, 5,5% no ano. Tal projeção acabou sendo confirmada pelo CMN, de modo que a meta central de inflação para 2004 passou a ser 5,5% ao ano.
O intervalo de tolerância continua sendo de 2,5 pontos percentuais, o que permite uma variação entre 3,0% e 8,0% para a inflação no período. De acordo com o Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, a meta central da inflação para 2004 foi revista pelo fato de os agentes já estarem precificando uma inflação de 5,5% para o período. Vale destacar que as metas do governo levam em consideração a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), do IBGE.
Efeitos colaterais
A elevação da meta central do governo para a inflação em 2004 pode repercutir negativamente no mercado, uma vez que a credibilidade do regime de metas de inflação poderá ser colocada em xeque após tal alteração. Neste sentido, a trajetória descendente das expectativas para a inflação no próximo ano poderá ser interrompida, caso os agentes considerem que uma maior meta do governo para a inflação possa significar afrouxamento da política monetária.
Para se ter uma idéia, o relatório Focus do Banco Central, que compila as projeções de cerca de 100 instituições, espera uma variação positiva de 7,39% para o IPCA em 2004. Há um mês, tal projeção era de 7,60%, algo que confirma que o mercado vinha se mostrando satisfeito com os sinais de austeridade monetária dados pela equipe econômica. Dessa forma, o mercado pode entender que uma menor meta de inflação pode significar uma política de corte de juros mais agressiva por parte do Banco Central.
O aspecto do crescimento econômico
Por outro lado, a ampliação da meta oficial do governo pode ser entendida como um esforço adicional da equipe econômica no sentido de promover um maior crescimento econômico, sem necessariamente afrouxar a política monetária.
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Neste aspecto, Palocci reafirmou que o governo continuará mantendo uma política monetária austera, sustentanto que a revisão da meta oficial ocorreu apenas no sentido de equalizá-la à meta ajustada, que já vinha sendo utilizada pelo BC na condução da política de juros. Dessa maneira, o ritmo de corte da Selic não deverá necessariamente se acelerar em função da elevação da meta, segundo o argumento governista.
Sobre a meta para 2003, o ministro Palocci reconheceu que a mesma possui um caráter bastante ambicioso ao projetar uma inflação de apenas 8,5% no ano (medida pelo IPCA). Vale lembrar que a inflação no primeiro quadrimestre foi bastante elevada, começando a ceder de forma efetiva apenas no decorrer do mês de maio, quando o recuo do dólar começou a chegar ao consumidor final. Vale lembrar que somente nos primeiros cinco meses de 2003, o IPCA já acumula variação positiva de 6,8%.
Meta para 2005 é de 4,5% ao ano
Para 2005, o Conselho Monetário Nacional estipulou uma meta de 4,5% no ano, com intervalo de tolerância de 2,5 pontos percentuais. Dessa forma, a inflação poderá oscilar entre o intervalo de 2,0% e 7,0% no ano. No longo prazo, o governo deverá utilizar como referencial uma inflação de 4,0% no ano, ainda que esta não seja a meta firmada pelo CMN.
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Na quarta-feira, outras decisões importantes do Conselho deverão ser divulgadas, dentre elas as medidas para incentivo ao microcrédito, um dos pontos centrais da política de desenvolvimento do governo Lula. O mercado aguarda também alguma decisão sobre o recolhimento dos compulsórios bancários.