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SÃO PAULO – O primeiro trimestre de 2009 chega ao final deixando algumas vitórias aparentes, mas novas preocupações. O mercado vem reagindo bem se considerado o tamanho do desafio – é verdade que a fraca base de comparação joga a favor. No saldo deste primeiro quarto, fica o diferencial das commodities para a bolsa brasileira e muito mais vontade do mercado em se recuperar que argumentos consistentes para apoiar sua recuperação.
O começo foi surpreendente. Um rali positivo que as bolsas não conheciam há muito tempo. Além de uma mudança de calendário, a virada do ano trouxe uma mudança de mentalidade. A esperança inicial chegou de pacotes governamentais que certamente viriam.
Diferencial das commodities
As commodities agradeceram. Estímulo à vista foi sinal de retomada da demanda pelas matérias-primas. Sustentado pela melhora destas commodities, o Ibovespa já começou janeiro engatando seis altas seguidas. Tudo apontava para um mês de forte recuperação.
Mas os bancos apareceram com prejuízos históricos lá fora, mostraram que a perspectiva de recuperação ainda não incluía setor financeiro; estava longe de incluir. No final de janeiro, Ibovespa conseguiu ganho de 4,6%, graças a este diferencial das commodities.
Fevereiro de sustos
O final de janeiro destacou a histórica posse de Obama, até por isto a onda de esperança. Fevereiro chegou com os desdobramentos desta posse, as primeiras iniciativas do novo governo. O mercado inicialmente gostou, mas tinha de conviver com alguns sustos, principalmente do desemprego.
| Mês | Pontuação – Ibovespa | % |
| Janeiro | 39.300 pontos | +4,6% |
| Fevereiro | 38.183 pontos | -2,8% |
| Março | 40.925 pontos | +7,2% |
Como prova deste sentimento de mudança trazido por Obama, a primeira semana de fevereiro foi a melhor para as bolsas no ano até então. Se por um lado o mercado de trabalho assustou, cobrou as autoridades e quebrou barreiras no Congresso norte-americano. Mas depois apareceu o temor de nacionalização dos bancos. Gigantes como Citigroup e Bank of America dominaram o noticiário do mês.
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No final, o pior fevereiro da história do índice Dow Jones; queda acumulada de 2,8% ao Ibovespa. Até aqui, o saldo ainda era positivo para a bolsa brasileira, mas deixava índices de Wall Street nas mínimas dos últimos 12 anos. Até março começar.
Rali e dúvida
O mês virou e o medo de nacionalização dos bancos passou. Mais do que isto, foi trocado por sinais de confiança dos bancos, que viam o começo de 2009 como lucrativo às suas operações. O Fed veio junto com medidas agressivas: compra de Treasuries, novas garantias ao setor financeiro, aquisição de títulos públicos.
Voltou a esperança dos pacotes. Do menor nível em 12 anos, Wall Street passou a ostentar um rali – o melhor em quase sete anos. O Ibovespa foi na esteira, com ganhos de 7,2% em março. Apesar do saldo positivo, mais vontade que referências concisas para subir deixaram a dúvida: recuperação sustentável ou mero rali de bear market. A resposta fica para o segundo trimestre.
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O primeiro trimestre dos mercados em números:
| Referência | Pontuação | Saldo trimestral |
| Ibovespa | 40.925 | +8,99% |
| Dow Jones | 7.608 | -13,30% |
| Nasdaq | 1.528 | -3,07% |
| S&P 500 | 797 | -11,67% |
| Petróleo NY | US$ 49,66 por barril | +16,3% |
| Dólar Comercial | R$ 2,312 | -1,07% |
| Risco-Brasil | 422 | + 3 pontos-base |