Após mês mais volátil dos últimos anos, Stuhlberger zera venda em dólar e compra NTN-Bs

Confira o que o maior fundo de investimentos do Brasil disse em sua carta mensal de junho

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SÃO PAULO – Em seu relatório mensal de junho, a equipe de gestão do Verde Asset Management, sob o comando do famoso gestor Luis Stuhlberger, disse temer que o real volte para um nível exagerado de sobrevalorização e zerou sua posição vendida em dólar.

De acordo com o texto, após o surpreendente resultado do referendo em que os britânicos decidiram pela saída do Reino Unido da União Europeia, os mercados correram em direção a ativos seguros como os títulos de dívida de países com economia sólida como Estados Unidos, Alemanha, Japão, Inglaterra e Suíça. Isso resultou em uma forte queda nos yields desses títulos (o rendimento deles é inversamente proporcional ao preço, que aumentou com o crescimento da demanda). 

O efeito colateral disso, segundo o relatório, foi a “parcial euforia nos mercados brasileiros” por conta das taxas de juros altas praticadas aqui, uma vez que a nossa Selic de 14,25% se torna ainda mais atrativa quando caem os juros lá fora. “Por isso, o Real voltou a se valorizar de maneira acelerada, e aliás a valorização de 11% em junho foi a maior desde abril de 2003″, afirma, colocando também alguma responsabilidade na nova equipe do Banco Central, que defendeu a flutuação do câmbio. 

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Contudo, essa procura por dólares não terá uma vida tão longa, de acordo com o gestor, que explica que a realidade atual é bem diferente da de 2003. “Acreditamos que boa parte dos fatores que permitiram o sucesso lá atrás não está presente agora (em uma palavra: China) e consideramos um perigo que o Real volte para um nível exagerado de sobrevalorização. O fundo zerou sua posição vendida em dólar contra o Real.”

O gestor também aproveitou para aumentar a sua posição em juros, comprando mais NTN-Bs (os atuais Tesouro IPCA). “Continuamos a acreditar que juros reais de 6,30% para cinco anos são incompatíveis com uma economia com baixo crescimento potencial, e aproveitamos a alta recente para voltar a aumentar a posição”, explica o texto do Verde Asset.

Entre outros destaques do relatório, o gestor aponta os ganhos do Verde em junho em suas posições de moeda, apesar da queda das ações e da quase estabilidade das posições de renda fixa. O Verde Asset FIC FIM subiu 1,76% em junho, batendo os 1,16% do CDI. No ano, o fundo acumula alta de 4,43%, contra 6,72% do CDI.